Creio que todos nós vimos a grande coqueluche da semana passada na internet indie brasileira: Oração, música de Léo Fressato, interpretada pela Banda Mais Bonita da Cidade. Gostaria de falar sobre o fenômeno que surgiu há algum tempo no twitter (e em blogs, facebook, e onde quer que a liberdade de expressão seja mantida), e que ganhou força com a hype sobre a banda: você não tem o direito de gostar de algo que eu não gosto.
Por conta da Banda Mais Bonita da Cidade, reparei que as opiniões foram as mais extremas possíveis: alguns juraram amor eterno à banda, outros a desprezaram como se fosse um montinho de cocô na calçada (ilustração típica das 2 da manhã). O lance é que quem não gostava, tratou de fazer bullying cibernético em quem gostava, e meio que vice-versa.
Eu juro que não sei de onde diabos veio esse establishment, essa trolagem, esse impedimento de você gostar ou não de algo. De repente, todos nós nos tornamos críticos musicais… porque isso não começou com a banda mais bonita da cidade, já tem um tempo, e não se aplica apenas à música, claro, mas aqui eu falo de música. Mas todos nós, de repente, somos os mais entendidos de música do quarteirão.
Ninguém é “burro” ou “desprovido de gosto musical” por gostar de algo. Ou melhor, de algumas coisas sim, talvez, mas enfim. No caso da banda mais bonita deste texto, esse foram alguns adjetivos usados. Reparei que muitas das pessoas que criticaram a banda e aqueles que dela gostaram são músicos. Frustrados? Não sei. Fato é que uma banda, sem disco gravado, com poucos shows no currículo, fez um vídeo interessantíssimo (ok, Beirut tinha feito antes? Legal.) e chegou a quase 2 milhões de views (sei que vou editar essa parte do texto depois) em poucos dias. Legal demais.
Eu particularmente gostei. E gostei também das outras músicas que eles interpretam. Acho que têm futuro. Mas ó, se você não gostou, não tem problema nenhum! Ó que beleza! Eu não tenho direito de achar você um desentendido musical por isso, e eu não sou “burro” por gostar! Vivamos em paz!
Digo isso como alguém que produz música, e que sabe que nem todos gostam do que produzo. Tá tudo bem, o mundo não vai acabar por conta disso. Liberdade é algo que deveria ser prezado e estimado, inclusive a liberdade de gostar ou não das coisas. A mais simples e fugaz das liberdades. Porque é aquilo: um dia você não pode gostar de uma banda, no outro não pode beijar sua esposa em lugares públicos. É assim que são cerceadas as liberdades.
Podem começar a criticar. mas com amor. s2
A Administração.
EDIT PÓS MADRUGADA – Aproveitando o que algumas pessoas comentaram por aqui e no facebook, quero dizer que apesar de ter gostado da música, também a achei repetitiva, mas acho que houve um método para a loucura mântrica deles: creio que a canção foi repetida à exaustão (não tão exaustiva assim, mas enfim) pela a necessidade, ou vontade, de criar todas as texturas e ambientes que vemos no clipe. Lembrem-se que o áudio foi captado enquanto ela era tocada. Eventualmente a música poderia ser gravada com menos repetições, quem sabe.
PS1: Já falei que não sei as regras aproproadas do uso do porque.
PS2: Sei que liberdades não são assim cerceadas de forma tão absurda. Mas pense bem? Do jeito que as coisas andam, usar luvas no inverno de Campos do Jordão um dia pode ser crime inafiançável. Ok, viajei de novo.