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a quem interessar, parte 3

Bom, feliz ano novo.

Este ano iniciou com algumas resoluções.

Como vocês leram no último post, o ano passado não foi o melhor de todos, mas o aprendizado foi grande. O lance é que não deveríamos nos cansar de aprender acerca das coisas de Deus (e de outras também, claro), então a primeira resolução do ano foi a de ler a Bíblia novamente, completa. Novamente porque a primeira vez que fiz isso foi em 2003, e nos outros anos minha leitura foi claudicante. Então, voltei a ela. Meio sem ritmo (já que o trabalho não tem sido bom comigo), mas voltei.

Também decidi, e avisei isso a alguns amigos há algumas semanas, me desligar do Coletivo Echo, tanto como “gerente” quanto como “artista”. Mal administro a banda e minha vida, quanto mais um coletivo. Informei isso aos caras que devem tocar o Echo daqui para frente, e oro para que a coisa decole, de verdade.

Decidi um monte de outras coisas, que ficarão não ditas.

Mas tem uma coisa a respeito de decisões: nós não podemos controlar muito o que vai ser delas ao fim. Como a palavra nos instrui, o certo é dizer “se Deus quiser, faremos isso ou aquilo”, então minhas decisões basicamente residem na vontade última de Deus.

Agora, seguimos com a programação normal.

Um abraço!

Eduardo

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a quem interessar, parte 2

Às vezes eu não faço ideia do que eu estou fazendo. Refiro-me ao lado musical da minha vida.

Este talvez seja o texto mais difícil que já escrevi. Sinceramente, é um exercício autoavaliação bem complicado admitir algumas das minhas falhas (para não dizer pecados), mas este ano estas coisas ficaram tão latentes para mim que não escrever isso seria não dar mais um passo rumo a uma libertação que espero em Deus.

Eu sofro de uma incrível dose de pessimismo, e minha constante autodepreciação não é ferramenta para o “ei, olhem para mim”, mas sim algo infelizmente verdadeiro. Quando apresento uma música nova a alguém, eu nunca espero que ela possa ser “gostada”, mas sim, criticada.

Tendo dito isto, posso dizer que algumas atitudes que tomei durante este ano em relação à minha suposta “carreira” musical foram completamente equivocadas, embora tenham sido divertidas. Por exemplo, no início do ano convoquei meus amigos (e a pessoas que nem conhecia) a votarem na banda para que participássemos de um festival. Enchi o saco de um monte de gente, e acabamos indo lá tocar. Mas antes, eu passei um mês em Manaus com Eline. Arrisco dizer que foi, de longe, o melhor mês do ano. Senti Deus, de alguma forma, reafirmando algumas coisas para mim. E depois, fomos para o festival, que foi muito legal. Mas a experiência na cidade de São Paulo, no geral, foi péssima. Horas antes de voltarmos ao Rio, eu estava muito mal, questionando tudo aquilo que Deus havia reafirmado algumas semanas antes, enquanto olhava o céu do barco, entre uma comunidade ribeirinha e outra, vendo o poder e glória de Deus através da criação.

Durante a volta para o Rio, de ônibus, pude refletir no quanto estive errado em perseguir aquele final de semana, como se ele pudesse representar uma mudança em algo. Sou grato ao pessoal que nos levou, e guardo no coração os momentos com os amigos lá, mas não deveria ter ido.

Também pude ver o quão invejoso eu sou. Triste admitir isto, mas algumas vezes eu me vi desejando (cobiçando) aquilo que outras pessoas tinham, as oportunidades que lhes eram apresentadas, a exposição que lhes garantiam. Questionei a Deus as razões de eu não tocar tanto quanto outras bandas tocavam, de não ter tantos convites, tantos seguidores no twitter (sim, cheguei a ESSE ponto, olha que merda), tantas pessoas falando a respeito da minha música… e isso, lamentavelmente, foi roubando a alegria e a força de cada email e mensagem de pessoas não elogiando aquilo que eu compunha, mas dizendo o quanto Deus falou ao coração delas através de alguma música minha.

Ouvi coisas que não ajudaram muito, também. Soube que um amigo havia dito para algumas pessoas que eu não era mais conhecido pois não sabia me divulgar direito. Também ouvi (mais de uma vez) que se eu fizesse “um som como o da banda A ou B” mais pessoas gostariam daquilo que eu faço. Este não é o tipo de coisa que alguém com um problema de baixa auto-estima gosta de ouvir, além de levar à inevitável e maldita comparação.

Nunca fiz música pensando em mercados, e por muito tempo me esforcei em fazer tudo da forma mais independente possível. Tentei acreditar que estava utilizando as mídias sociais da forma correta, mas a verdade é que eu basicamente fracassei. Não sei aplicar ferramentas ao que faço, e tenho medo de fazer isto. Perceber que sou alguém invejoso (em tratamento constante) faz com que eu tenha medo de tentar algo que alguém faça muito bem, com medo de falhar e a inveja voltar a aparecer. E ao mesmo tempo, eu não quero mudar aquilo que penso e sou com vistas em ter maior exposição, alcançar mais gente… vou continuar rimando Cruz e Jesus quando for necessário. Só a título de exemplo, uma das pessoas que mais admiro neste meio musical cristão gravou apenas um CD em sua vida inteira após 35 anos de ministério e serviço à Igreja. E morreu logo após lançar o disco.

O que me leva a outro ponto: eu não faço música de igreja por achar que isso tem futuro, obviamente. Faço por plena convicção de chamado. Sei que falar em chamado significa dizer que é algo que sinto ser de Deus, e ao colocar Deus na questão eu praticamente excluo qualquer possibilidade de discussão, mas é a mais pura verdade. Não mudei o que faço em 18 anos: desde os 14 faço exatamente a mesma coisa: escrevo pensando em Deus mas duvidando que alguém vá gostar daquilo.

Apesar de quem eu sou, e das besteiras que penso, sinto e falo, eu tenho uma paixão profunda por aquilo que Deus opera através de músicas entoadas com o intuito de ensinar a respeito de quem Ele é, em louvor unicamente a Ele. Eu sei disso pois foi exatamente isto que me trouxe a Ele, mesmo sendo filho de um lar cristão.

Neste ano eu pude ver claramente aquilo que Deus permitiu acontecer em minha vida e aquilo que Ele barrou, na minha frente, na maior cara de pau, por me amar. Pude, como bem cantou João Alexandre um dia, ver “meus olhos no espelho, por fora um herói, por dentro um ladrão”. Ver meu pecado na minha frente e ser confrontado por isso. E sou grato a Deus por tudo isso (embora às vezes não entenda muito bem as coisas que acontecem). Eu não faço a mínima ideia de como será o ano que vem, embora tenha decidido em meu coração algumas coisas, mas o que eu espero sinceramente é que Deus continue Seu tratamento comigo. Que a inveja suma da minha vida, que a autodepreciação apareça bem menos e que Cristo seja glorificado naquilo que eu faço, e em minha família.

continua.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Música,Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (11) Comentarios

a quem interessar, parte1

Eu gostaria que vocês entendessem um pouco mais do que passa na minha cabeça. Mas em que sentido? No sentido daquilo que penso e sinto a respeito da minha vida com a música. É claro que, lendo meus textos aqui já dá pra sacar um pouco, mas gostaria de ir um pouco além. Na verdade, eu já fui: o texto já está escrito, só não será postado hoje.

Neste(s) texto(s) eu vou tentar falar algumas coisas que sinto, bem como algumas coisas que estão por vir. Nem tudo será bonito, mas será essencial para como, na minha cabeça, as coisas devem passar a funcionar. Espero em Deus que Ele me liberte de algumas prisões relacionadas à prática da música.

Um abraço a todos.

Eduardo

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Coluna

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E mais uma vez sou traído pela minha saúde. Ou melhor, pela falta de. Minha coluna novamente deu sinais de envelhecimento e me levou pro hospital. Foram oito horas de emergência ontem, domingo, e mais três hoje, segunda.

Estou à base de analgésicos. E oração, claro. Se lembrar, ore pelo gordinho aqui.

Abraço,

Eduardp

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Crentes Cretinos

Você conhece esse pessoal. Aqueles que vibram quando alguma coisa dá errado na Igreja. E por Igreja, não quero dizer aquela congregação barulhenta na esquina da sua casa, mas sim a instituição Igreja, o Corpo de Cristo.

São aqueles que riem quando um irmão cai. Os que apontam o dedo quando o líder de louvor da antiga igreja deles aparece com a namorada grávida, ou quando o pastor da igreja do amigo assume que é homossexual e foge com um diácono. Eles riem. Eles têm prazer nisso, um prazer quase erótico.

São aqueles caras que escarnecem de quem adere a algum movimento de santidade sexual, ou qualquer tipo de santidade (se é que existam tais definições – ou é santidade ou não é). Falam mal do movimento, falam mal de quem assume ser parte, falam mal até de quem não tem nada a ver com o assunto, só pra falar mal. Fazem isso, sei lá, pra justificar a vida libertina que levam? Levam camisinha para a igreja, e a Bíblia num app de celular que nunca é utilizado.

São os crentinos que vão para o culto no domingo e ficam checando as atualizações dos amigos em seus smartphones. Ou pior: tiram fotos da banda übercool de “louvor” de sua igreja e postam nas redes sociais comentando como é legal que na igreja deles toque U2(?) e Coldplay(?). Depois do culto, vão pra uma baladinha, abrir a semana com uma cervejinha importada gelada ou um drink. Pergunte pra eles qual a passagem que o pastor usou na pregação e é mais fácil que eles lembrem que o mesmo citou uma bela música do John Lennon, mas se bobear, nem mesmo o João 3.16 sabe de cór.

Para eles, Jesus bom é o jesusmanero ou o buddy Jesus do filme Dogma. Fazer ação social ou caridade requer marca, slogan, camiseta, adesivo e tudo mais. E um nome em inglês. Porque se não for em inglês, não é hype.

São os crentinos que, quando afrontados por suas ações ou atos pecaminosos, soltam o clássico “não julgueis para que não sejais julgados”, como alguém que grita “tô de altos” num pique pega, ou pique esconde. Ou seja: continuam levando a vida como crianças.

“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.”

O texto de Isaías 55.6-7 é duro, mas é para todos. As coisas precisam mudar. De boa, precisam mesmo. Do jeito que está, daqui a pouco tem gente fazendo streaptease e dançando de cueca em pleno congresso jovem, em plena “igreja”, e achando tudo isso muito normal.

Mas creio que, para isso, já seja tarde demais.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (3) Comentarios

Reforma, Zumbis e blá blá blá

Hoje 31 de outubro, se comemora muitas coisas.

Por exemplo, hoje é o dia do Saci, o que vem bem a calhar com o (também comemorado hoje) Halloween.

Neste dia, nasceram o ator Rob Schneider e Dunga (o técnico, não o anão). Neste dia, há quase 20 anos, morreu o ator River Phoenix.

Mas creio que o fato mais importante se deu a 31 de outubro de 1517, quando Lutero inicou a Reforma Protestante. E como muitos blogs de teologia séria (e alguns não tão sérios assim) já falaram tudo que havia a ser dito há alguns anos atrás, tudo que eu tenho para dizer é aquilo que eu tuitei na noite passada, em inglês:

Reformation Day kicks the crap out of Halloween, and thus I have spoken. Que numa tradução livre soaria como “o Dia da Reforma dá um chute na bunda do Hallwen, e tenho dito”. Certamente algo profundo e teológico.

Hoje também ficou marcado como o dia do meu interminável blá blá blá a respeito de como eu escreveria um filme a respeito da Reforma e de zumbis, e de como esse suposto filme receberia mais de 659 Oscares e uns 437 Grammies (sabe como é, eu não deixaria a música do filme em segundo plano). Mas é aquilo: cheguei em casa cansado e sem saco para escrever. O roteiro vai ficar pra depois.

No mais… Reforma Protestante. Livre acesso às Escrituras. Pessoas morreram por conta disso. Não é apenas um dia, e não deveria ser.

Um abraço!

Eduardo

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Frustração

Quando você se dá conta de que o caminho a ser percorrido é maior do que o que você imaginava, e que tudo aquilo que tinha por certo, na verdade não estava tão garantido.

Perceber que você e suas atitudes não estão assims tão corretas quando você pensa.

Bola pra frente. A graça de Deus é sempre suficiente, mas o coração precisa ser quebrantado.

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Outono, vídeo novo

Outono foi composta há alguns anos atrás. Foi na época em que eu estava no seminário e passava por uma situação não muito agradável de desemprego. Por mais que Deus suprisse tudo o que eu e Eline precisávamos através de amigos e família, eu precisava acreditar que a primavera chegaria e que aquila situação seria revertida.

Em outubro de 2008, um pastor amigo me indicou ao dono de uma agência de design. Lá estou até hoje. :)

Mas independente deste outono / deserto da minha vida ter passado, já passei desde então por outros, alguns mais curtos, outros mais intensos, mas ainda assim, eles vieram. E não tenho muitas dúvidas que esta fórmula se repetirá ao longo da minha vida. Afinal, se tem uma coisa que Jesus garantiu pra gente é que no mundo teríamos aflições.

Mas Ele venceu o mundo. :)

Voltando à música, ela é muito especial pra mim, e vira e mexe alguém por aí descobre ela e manda uma mensagem dizendo o quanto a canção está ajudando. Fico feliz com isso, pois essa era a intenção.

A versão do vídeo acima foi gravada durante o último Sarau da Vila, realizado pela Igreja Metodista de Vila Isabel, e contou com a participação do Léo, baterista da banda Grãos da Terra e do Marcus Bispo, tecladista amigo e fantástico, nesta ordem. :)

Espero que vocês curtam.

A Deus, sempre, toda glória.

Eduardo Mano

(quem quiser ver no youtube, clica aqui)

Escrito por Eduardo Mano en Música,Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (3) Comentarios

E você, o que está fazendo?

Tirei a foto acima no ano passado, em Buenos Aires. A frase “Y vos, que haces?” é parte da campanha da Converse na Argentina, e achei-a bem apropriada para ilustrar o que tá martelando aqui na minha cabeça.

No último sábado eu dei mole no twitter e postei algo que foi mal-interpretado por algumas pessoas. Era um texto do blog do Rev. Sandro Baggio, e algumas pessoas acharam que eu estava sacaneando ele. O post é este aqui, e quando o mencionei no twitter, disse a seguinte frase: “da pena do Rev Sandro Bagio”, querendo dizer “vindo da mão, do teclado, da mente do Rev Sandro Baggio”, mas alguns incautos entenderam como se eu dissesse ter pena do mestre.

Passado isto, acabei entrando numa conversa com mais dois amigos a respeito do tal “pensar fora da caixa” que muitos cristãos dizem fazer. Encerrei a conversa com eles dizendo que o problema não era pensar fora da caixa, o problema é, sim, deixar a caixa completamente suja, e querer ir pensar fora dela.

Muito se diz hoje a respeito de fazer igreja “fora das quatro paredes”. Mas o problema é que a igreja dentro das 4 paredes está em estado tal que, muitas vezes, pensar em sair dela é irresponsabilidade. E pior: geralmente quem quer pensar fora das4 paredes, ou da caixa, está indo contra lideranças, arrebatando pessoas com a mente enfraquecida por mentiras, com pouca base cristã. Gente que será levada por qualquer vento de doutrina e que precisava de mais alimento espiritual consistente.

Abrimos a boca para falar mal da igreja “institucionalizada”, e nada fazemos para mudá-la, de dentro pra fora. Ou ainda: não paramos para pensar se quem precisa de mudança é a igreja ou somos nós. Somos o filho pródigo: queremos a nossa herança com nosso pai ainda vivo, e acabamos por gastá-la com vícios e futilidades que julgamos ser importantes. O final da história, todos sabemos.

Escrevo este post ouvindo a música Jesus é o Rei da Glória, do Daniel de Souza. E acho que ela tem tudo a ver com isso que estou escrevendo. Jesus é o centro de tudo isso que fazemos. Ele deveria ser o centro da caixa e de fora dela, afinal, Ele não pode ser contido em nada, nem mesmo no Universo. “Todo poder te foi dado nos céus e na terra”, canta o Daniel, e canto eu.

Queremos fazer igreja baseada no “amor”, mas igreja só é igreja quando baseada em Jesus, a pedra fundamental. Não é o amor que muda o mundo, ou as pessoas, sei lá. É Jesus. Jesus. “Levantai ó portas as vossas cabeças, levantai-vos, entradas eternas, para que entre o Rei da glória”. Jesus, o Senhor da Igreja, e Senhor de nossas vidas, Ele, detentor do poder, muda as coisas.

Jesus é maior que nossa visão de igreja, de vida, de mundo. Ele é aquele sem o qual nada podemos fazer, e Ele deveria estar no centro do que fazemos, dentro e fora da caixa. Mas enfatizo que, para sairmos da caixa, a caixa precisa estar em ordem. Isso tem tudo a ver com fidelidade… ser fiel no pouco, ser fiel na caixa, ser fiel na igreja.

A relevância da igreja não está em pastores com calça skinny, tatuagens e de fala “contextualizada”. A igreja só é relevante quando ela mantém fiel a pregação bíblica. Se ela foge disso, além de ser irrelevante, é anátema, é maldição.

O que estamos fazendo? E você, o que está fazendo?

Vamos limpar a caixa. Vamos colocar as coisas em ordem.

Para a Glória Dele,

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (2) Comentarios

Ser Cristão

Faz empo que não posto algo mais devocional aqui. Mais tempo do que deveria, talvez.

Não devocional para você, mas para mim. Algo que me faça lembrar pelo quê vivo. Escrevendo aqui, fica mais fácil ser cobrado daquilo que falo, pois o risco de cair em contradição é grande, não é mesmo? Afinal, pequenas contradições somos todos nós… mas há um momento em que precisamos nos posicionar quanto a algumas coisas. E aqui me posiciono.

Este não é um Credo. É apenas um lembrete.

Eu tenho um problema com o termo “crente”, e ainda com o termo “evangélico”. Embora eles sirvam (e servem) para categorizar parte daquilo que sou e creio, ainda é incompleto. Há um tempo que eu prefiro o termo cristão. O problema é que um monte dos “anarquistas de igrejas” ou dos “revolucionários” também utiliza o termo. Só que tanto neles quanto em mim, vejo ações e palavras que são diametralmente opostas àquelas propostas por Cristo. Por isso, vamos a um pequeno e rápido estudo do termo Cristão.

O termo Cristão aparece 3 vezes no Novo Testamento, em Atos 11.26; 26.28 e em I Pedro 4:16. Ele siginifca, essêncialmente, “pequeno Cristo”, tamanha era a identificação dos primeiros discípulos com o Mestre. Esse termo foi usado como um apelido, do povo, aos grupos que se reuniam nas casas. A partir de então, todo seguidor de Cristo passou a ser chamado de Cristão.

Mas veja que coisa: o apelido vem por associação. Chama-se de cristão aquele que imita a Jesus, que anda como Jesus, que faz as coisas como Jesus faria (dadas as devidas circunstâncias, claro). Após 2000 e poucos anos, em especial no interior do Brasil, um outro termo era utilizado para definir aqueles que serviam a Jesus: os bíblias. Os bíblias era conhecidos das cidades pequenas. Conhecidos por serem pais rigorosos com seus filhos, que cuidavam de sua educação. Conhecidos por serem fiéis às suas esposas. Conhecidos – vejam só – por serem bons pagadores de dívidas, e por terem crédito em qualquer loja das cidades.

Hoje eu olho para mim, e olho para a verborragia de muitos twiteiros de igreja, e vejo que de Cristão de verdade, temos é nada. Somos violentos, e não pacíficos. Somos infiéis e egoístas, e não fiéis e altruistas. Somos egocêntricos e damos pouca atenção à necessidade do próximo. É dito que o “amor é um movimento”, mas muitas vezes esse movimento é realizado debaixo de lençóis, em camas que pertencem a outros, ou que não deveriam pertencer a ninguém no momento. “Cristãos” hedonistas que fazem tudo pelo prazer, seja ele qual for, memos o prazer em Deus. “Cristãos” niilistas, desejando aniquilar a ordem e instaurar o caos, como se quisessem construir uma nova história abrindo mão de toda a história.

Passamos boa parte da semana nos preocupando apenas com nossos interesses, e quando buscamos a Deus é para pedir a Ele que conceda ainda mais interesses, conceda desejos que nem perguntamos a Ele se deveriam estar em nossos corações. Na tentativa de tirá-Lo da “caixa”(como se pudéssemos condicionar o infinito a uma), transformamos o Santo dos santos em um amuleto, e passamos a criticar aqueles que fazem a mesma coisa apenas de forma mais discarada.

Passamos a enfatizar dois dos maravilhosos atributos de Deus, Sua Graça e Seu amor, desconsiderando todos os outros, como se pudéssemos partimentalizar o indivisível. Rimos quando pentecostais clássicos dizem que “Deus é amor mas é justiça”, e nos esquecemos que é bem por aí mesmo, e mais: Ele é todo amor, todo Graça, todo misericórdia, todo justiça, todo ira. Como disse Jó à sua esposa em Jó 2.10, “receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?”. Durmamos com um barulho destes.

Mas tudo na vida é uma questão de posicionamento. Eu, pensando no (pouco) que conheço a respeito de Deus e naquilo (tanto) que Ele tem feito por mim, vejo que eu preciso abrir mão de atitudes em minha vida. Preciso viver uma vida que honre e dignifique a Deus, daquele de quem não somos dignos de amarrar as sandálias. Viver um pouco do que diz aquela velha canção, “a começar em mim, quebra corações”.

Não sei onde isso vai dar, mas Deus, que não dá ponto sem nó, sabe.

A Ele, e somente a Ele, toda honra e glória.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (1) Comentario