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E você, o que está fazendo?

Tirei a foto acima no ano passado, em Buenos Aires. A frase “Y vos, que haces?” é parte da campanha da Converse na Argentina, e achei-a bem apropriada para ilustrar o que tá martelando aqui na minha cabeça.

No último sábado eu dei mole no twitter e postei algo que foi mal-interpretado por algumas pessoas. Era um texto do blog do Rev. Sandro Baggio, e algumas pessoas acharam que eu estava sacaneando ele. O post é este aqui, e quando o mencionei no twitter, disse a seguinte frase: “da pena do Rev Sandro Bagio”, querendo dizer “vindo da mão, do teclado, da mente do Rev Sandro Baggio”, mas alguns incautos entenderam como se eu dissesse ter pena do mestre.

Passado isto, acabei entrando numa conversa com mais dois amigos a respeito do tal “pensar fora da caixa” que muitos cristãos dizem fazer. Encerrei a conversa com eles dizendo que o problema não era pensar fora da caixa, o problema é, sim, deixar a caixa completamente suja, e querer ir pensar fora dela.

Muito se diz hoje a respeito de fazer igreja “fora das quatro paredes”. Mas o problema é que a igreja dentro das 4 paredes está em estado tal que, muitas vezes, pensar em sair dela é irresponsabilidade. E pior: geralmente quem quer pensar fora das4 paredes, ou da caixa, está indo contra lideranças, arrebatando pessoas com a mente enfraquecida por mentiras, com pouca base cristã. Gente que será levada por qualquer vento de doutrina e que precisava de mais alimento espiritual consistente.

Abrimos a boca para falar mal da igreja “institucionalizada”, e nada fazemos para mudá-la, de dentro pra fora. Ou ainda: não paramos para pensar se quem precisa de mudança é a igreja ou somos nós. Somos o filho pródigo: queremos a nossa herança com nosso pai ainda vivo, e acabamos por gastá-la com vícios e futilidades que julgamos ser importantes. O final da história, todos sabemos.

Escrevo este post ouvindo a música Jesus é o Rei da Glória, do Daniel de Souza. E acho que ela tem tudo a ver com isso que estou escrevendo. Jesus é o centro de tudo isso que fazemos. Ele deveria ser o centro da caixa e de fora dela, afinal, Ele não pode ser contido em nada, nem mesmo no Universo. “Todo poder te foi dado nos céus e na terra”, canta o Daniel, e canto eu.

Queremos fazer igreja baseada no “amor”, mas igreja só é igreja quando baseada em Jesus, a pedra fundamental. Não é o amor que muda o mundo, ou as pessoas, sei lá. É Jesus. Jesus. “Levantai ó portas as vossas cabeças, levantai-vos, entradas eternas, para que entre o Rei da glória”. Jesus, o Senhor da Igreja, e Senhor de nossas vidas, Ele, detentor do poder, muda as coisas.

Jesus é maior que nossa visão de igreja, de vida, de mundo. Ele é aquele sem o qual nada podemos fazer, e Ele deveria estar no centro do que fazemos, dentro e fora da caixa. Mas enfatizo que, para sairmos da caixa, a caixa precisa estar em ordem. Isso tem tudo a ver com fidelidade… ser fiel no pouco, ser fiel na caixa, ser fiel na igreja.

A relevância da igreja não está em pastores com calça skinny, tatuagens e de fala “contextualizada”. A igreja só é relevante quando ela mantém fiel a pregação bíblica. Se ela foge disso, além de ser irrelevante, é anátema, é maldição.

O que estamos fazendo? E você, o que está fazendo?

Vamos limpar a caixa. Vamos colocar as coisas em ordem.

Para a Glória Dele,

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (2) Comentarios

Ser Cristão

Faz empo que não posto algo mais devocional aqui. Mais tempo do que deveria, talvez.

Não devocional para você, mas para mim. Algo que me faça lembrar pelo quê vivo. Escrevendo aqui, fica mais fácil ser cobrado daquilo que falo, pois o risco de cair em contradição é grande, não é mesmo? Afinal, pequenas contradições somos todos nós… mas há um momento em que precisamos nos posicionar quanto a algumas coisas. E aqui me posiciono.

Este não é um Credo. É apenas um lembrete.

Eu tenho um problema com o termo “crente”, e ainda com o termo “evangélico”. Embora eles sirvam (e servem) para categorizar parte daquilo que sou e creio, ainda é incompleto. Há um tempo que eu prefiro o termo cristão. O problema é que um monte dos “anarquistas de igrejas” ou dos “revolucionários” também utiliza o termo. Só que tanto neles quanto em mim, vejo ações e palavras que são diametralmente opostas àquelas propostas por Cristo. Por isso, vamos a um pequeno e rápido estudo do termo Cristão.

O termo Cristão aparece 3 vezes no Novo Testamento, em Atos 11.26; 26.28 e em I Pedro 4:16. Ele siginifca, essêncialmente, “pequeno Cristo”, tamanha era a identificação dos primeiros discípulos com o Mestre. Esse termo foi usado como um apelido, do povo, aos grupos que se reuniam nas casas. A partir de então, todo seguidor de Cristo passou a ser chamado de Cristão.

Mas veja que coisa: o apelido vem por associação. Chama-se de cristão aquele que imita a Jesus, que anda como Jesus, que faz as coisas como Jesus faria (dadas as devidas circunstâncias, claro). Após 2000 e poucos anos, em especial no interior do Brasil, um outro termo era utilizado para definir aqueles que serviam a Jesus: os bíblias. Os bíblias era conhecidos das cidades pequenas. Conhecidos por serem pais rigorosos com seus filhos, que cuidavam de sua educação. Conhecidos por serem fiéis às suas esposas. Conhecidos – vejam só – por serem bons pagadores de dívidas, e por terem crédito em qualquer loja das cidades.

Hoje eu olho para mim, e olho para a verborragia de muitos twiteiros de igreja, e vejo que de Cristão de verdade, temos é nada. Somos violentos, e não pacíficos. Somos infiéis e egoístas, e não fiéis e altruistas. Somos egocêntricos e damos pouca atenção à necessidade do próximo. É dito que o “amor é um movimento”, mas muitas vezes esse movimento é realizado debaixo de lençóis, em camas que pertencem a outros, ou que não deveriam pertencer a ninguém no momento. “Cristãos” hedonistas que fazem tudo pelo prazer, seja ele qual for, memos o prazer em Deus. “Cristãos” niilistas, desejando aniquilar a ordem e instaurar o caos, como se quisessem construir uma nova história abrindo mão de toda a história.

Passamos boa parte da semana nos preocupando apenas com nossos interesses, e quando buscamos a Deus é para pedir a Ele que conceda ainda mais interesses, conceda desejos que nem perguntamos a Ele se deveriam estar em nossos corações. Na tentativa de tirá-Lo da “caixa”(como se pudéssemos condicionar o infinito a uma), transformamos o Santo dos santos em um amuleto, e passamos a criticar aqueles que fazem a mesma coisa apenas de forma mais discarada.

Passamos a enfatizar dois dos maravilhosos atributos de Deus, Sua Graça e Seu amor, desconsiderando todos os outros, como se pudéssemos partimentalizar o indivisível. Rimos quando pentecostais clássicos dizem que “Deus é amor mas é justiça”, e nos esquecemos que é bem por aí mesmo, e mais: Ele é todo amor, todo Graça, todo misericórdia, todo justiça, todo ira. Como disse Jó à sua esposa em Jó 2.10, “receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?”. Durmamos com um barulho destes.

Mas tudo na vida é uma questão de posicionamento. Eu, pensando no (pouco) que conheço a respeito de Deus e naquilo (tanto) que Ele tem feito por mim, vejo que eu preciso abrir mão de atitudes em minha vida. Preciso viver uma vida que honre e dignifique a Deus, daquele de quem não somos dignos de amarrar as sandálias. Viver um pouco do que diz aquela velha canção, “a começar em mim, quebra corações”.

Não sei onde isso vai dar, mas Deus, que não dá ponto sem nó, sabe.

A Ele, e somente a Ele, toda honra e glória.

Eduardo Mano

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Premiações musicais: o que faz sentido

Na noite de ontem, foi entregue o prêmio multishow, celebrando artistas como Paula Fernandes, Restart e NX Zero. Creio que isso é tudo o que eu tenho a dizer a respeito deste assunto.

Quando fiquei sabendo disso, postei alguma besteira no twitter, ao que fui respondido pelo amigo Thiago: “Quem diria que o VMB seria algo de credibilidade. Viu os indicados desse ano?”. Isso me deixou curioso, e logo em seguida, o Thiago me mandou o vídeo que está neste link.

Os indicados no prêmio da Mtv são bem mais reais que os do Multishow. E isso se dá por um fato que o mesmo Thiago elucidou: este ano, a premiação será julgada por especialistas, e não por fãs. Creio que nada mais salutar para um prêmio que tal atitude.

Explico, já sabendo que vão chiar.

Há quem ame música, e há quem ame músicos / bandas / artistas. Quem ama a música sabe quando um de seus artistas favoritos pisa na bola, faz um disco ruim, ou ainda, sabe julgar o que há de bom ou não em uma canção. Quem ama os músicos, nunca vai se importar com isso. É a pessoa que se satisfaz com uma notícia sobre a roupa que o Bieber usou para levar o cachorro para fazer cocô. Isso é algo noticiável, para quem ama apenas o artista. Mas não para quem ama música.

Um prêmio infelizmente não pode ser deixado na mão de fãs. Muitas vezes eles são (facilmente) levados a fazer a vontade de seus artistas prediletos, e isso garante que, por exemplo, o Restart ganhe dois prêmios em uma noite. Quando você leva esse julgamento a quem sabe o que faz, a quem está treinado a ouvir música, coisas como estas não acontecem. Deixa de ser o domínio da gravadora que investe mais em marketing, roupas e promoção, e passa a ser a possibilidade do artista que tem um modesto séquito de ouvintes. Duvida? Basta reparar em quais são os indicados do VMB da Mtv e quais foram os indicados do Multishow.

Fico mais triste ainda em ver que a mentalidade do prêmio Multishow já tá chegando no movimento da música (com o perdão do termo) Gospel, como pode mos ver aqui.

Bom, é isso… só um devaneio. Certamente será muito discodado, mas paciência. tamos aí para moderar os comentários. ;)

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Eu mereço

Me incomoda ver crentes utilizando a frase que  dá título a este post no contexto de “sim, eu mereço isso, isso ou aquilo”. Há que se fazer a ênfaze no contexto, pois há ainda outra forma de utilizar a expressão: quando algo dá errado e a pessoa diz o clássico “eu mereço” irônico. Mas estou divagando.

Todos sabem que sou adepto do pensamento que parte do princípio que eu (nós) sou (somos) nada, e aúnica coisa que de fato nós merecemos é a morte.

Eu não creio que nós mesmos sejamos capazes de ver corretamente coisas boas saindo de nossas mãos. Não acho que este filtro deva estar ligado 100% do tempo, pois ele gera uma certa autoconfiança, um sentimento de glória pessoal que é danoso ao espírito. Claro que há coisas que fazemos bem, mas se não nos lembrarmos constantemente que tem gente que é melhor naquilo que nós, acaba que nos julgamos superiores em algo, e daí pra pensar que de fato merecemos algo nesta vida é um pulo. Um pulo ao abismo da insensatez.

É como o cara que se acha tão bom no seu emprego que vai até o chefe pedir um aumento e sai de lá com um belo “você tem muito a aprender ainda”. Isso geralmente acontece com os estagiários. Mas novamente, estou divagando.

Achar que nós merecemos algo é tornar a nós mesmos maiores que os outros, colocar a nós mesmos antes dos outros, julgar-nos mais merecedores de algo que os outros. E olha que coisa… a Bíblia nos diz o contrário: “que é o homem, para que dele Te lembres; e o filho do homem para que o visites?” Mesmo tendo Deus nos dado domínio sobre toda a criação, ainda assim, ao olharmos as obras Dele, não há como não nos lembrarmos de nossa pequenez. Nada somos diante do Senhor.

E daí nos lembramos de Cristo. nada fizemos para merecer Seu sacrifício. Na verdade, pelos nossos frutos, pela nossa vida sem Ele, nós não mereceríamos mesmo! mas que tamanha Graça nos alcançou, e temos vida em Cristo. Glória a Deus por favor tão imerecido!

A Bíblia nos leva e ensina a exercitar a humildade, o desapego, o colocar os outros acima de nós, a servirmos antes de sermos servidos. É sempre um movimento em direção ao próximo e a Deus, e para longe de nosso ego. É o marido que coloca a vontade de sua esposa e filhos antes da própria. O filho que quer de fato servir e agradar aos pais. O líder de louvor que quer servir a Igreja e não a si próprio.

Perceba hoje que aquelas coisas que você tem são dádivas graciosas de Deus a alguém imerecedor. Pense dessa forma e seja grato a Ele pelo Amor, pela Salvação, pelas amizades, pelo sustento, pela paz. O Deus que “supre aos seus amados enquanto dormem” está conosco.

Repito: você eu merecemos, de fato a morte. Mas ganhamos a Vida. Não é formidável?

Um abraço,

Eduardo Mano

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Na Madrugada

O pessoal do SuperGospel postou nesta madrugada a entrevista que fizeram comigo. Espero que vocês curtam. Dêem um pulo lá e confiram.

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Este final de semana não irei mais a SP, como você leu no post anterior

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Bom dia.

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Mercado da Música. E eu com isso?

No último texto eu falei que “As bandas cristãs teriam muito a aprender com as novas tendências, se não estivessem tão preocupadas em soar como uma cópia do United, ou se cada banda que se forma nas igrejas já não tivesse o intuito (como se esta fosse a única forma de “acontecer”) de assinar um contrato com alguma gravadora.” Eu já vi e ainda vejo esta história se repetir quase todos os dias. E por isso, gostaria de falar a respeito de sucesso.

Quando os Vencedores por Cristo foram criados pelo missionário Jaime Kemp em 1968 a idéia era trabalhar missões com grupos de jovens que viajariam pelo Brasil levando música e palavra. Foram inúmeras equipes missionárias, e vez por outra uma das equipes trabalhava na gravação de um disco. Só que o foco do trabalho não era a gravação, mas sim as viagens missionárias, e aqui faço um adendo.

Viagem missionária, para quem nunca participou de uma, significa abrir mão de conforto. Esqueça quartos de hotel com ar-condicionado, frigobar e serviço de quarto. Na melhor das hipóteses, você vai dormir no alojamento de algum retiro ou na casa de algum irmão, mas pode ser que passe a noite num colchonete, numa rede ou no chão da igreja. Muito diferente das exigências que as bandas fazem hoje em dia ao receber o convite de alguma igreja distante, onde hotel passa a ser uma obrigação. Mas voltando ao assunto.

A maldição da mídia gospel e dos luxos vividos pelos artistas transformou aquilo que era para ser missão e serviço em regalias, proveito, benefícios e mamata. Sim, mamata. Afinal, não é mamata viajar de graça pelo país, recebendo por um final de semana aquilo que muitos pais de família brasileiros demoram 3 ou mais meses para conseguir, e ainda por cima com tudo pago? Meus caros, onde chegamos?

Para muitos jovens e adolescentes, mais importante que fazer música que agrade a Deus e sirva de conforto, exortação e ensino ao Seu povo, já no primeiro ensaio da banda são definidos quando o CD será gravado, quais serão as exigências para irem a algum lugar e por aí vai. os fins passaram a justificar os meios: faço música para ter uma vida de rockstar.

Já chegamos a um ponto onde há calotes de promotores de eventos e de bandas. Promotores inescrupulosos que deslocam uma banda para algum lugar e no final das contas não honram com seus compromissos nem com o público nem com a banda. Mas também há falta de escrúpulos nas bandas que desmarcam evento já agendados em favor de outro, na mesma data, que vai “pagar mais”, ou dar mais visibilidade. Não basta termos beirado o absurdo, mas ultrapassamos a linha que o define e fincamos a bandeira do mercado por lá, bem distante do que, creio, é a vontade de Deus para aqueles que se iniciaram neste caminho.

A verdade é a seguinte: nem todos serão o Oficina G3, o Diante do Trono, o Quinlan ou qualquer outro dos que vive exclusivamente do mercado. Há grandes chances, na verdade, de que você sua banda nunca passem dos limites da sua cidade, e que precisem ter empregos que banquem a música. Digo isto por experiência.

Quando gravei o Canções para Grupos Pequenos eu não imaginava que ele teria mais de 1000 downloads. Por mais que este número seja pouco, para mim foi muita coisa. Só que isso não abriu mais possibilidades de agendas. De fato, as igrejas onde tocamos no início eram igrejas de amigos – da mesma forma que funcionamos hoje. Para gravar o Esperança, troquei meus serviços de designer pelas horas de gravação em estúdio. Foram mais de 2000 downloads deste disco, e novamente, nossa agenda ainda não ficou lotada. Para o Velhas Verdades, a opção de gravarmos em casa não foi apenas para provar que era possível, mas também por não termos dinheiro para gravar o disco. Foram, até agora, mais de 1500 downloads do disco, e nossa agenda não lotou com isso.

Se penso em sucesso e vejo que nossa agenda está vazia, a lógica mundana diz que não o temos. Só que com Deus a parada é diferente, e quando vejo as mensagens e emails que recebemos de gente que foi tocada pela música, ou que ouviu Deus falar com elas através de uma letra… eu não posso deixar de ficar feliz com isso! Quando lembro de todos os amigos que fiz por causa da música nestes últimos 3 anos, não tenho como não me sentir alguém de sucesso! Eu trabalho de segunda a sexta de 9 da manhã ãs 18 da noite, e muitas madrugadas eu estou no computador, trabalhando, para sustentar minha casa. Não é incomum termos que colocar dinheiro na banda, pagando ensaios e duplicação de CDs, e não sei se algum dia isso se tornará autosustentável, mas como eu tenho prazer em sentir Deus confirmando em meu coração que é para continuar.

Eu queria que outras bandas tivessem esta mesma alegria.

Passei boa parte dos últimos meses crendo que o que fazíamos é arte, e que por isso, seríamos artistas. Tolice minha. Se é ou não arte, isso deveria importar menos do que o fato de ser instrumento de Deus para tocar vidas., e que neste sentido, sim, a banda passa a ser um ministério, e os membros dela ministros, mas com a humildade que o nome dá: ministro é servo, e o serviço é a Deus e à Igreja. Até o “ser ministro” pode encher as pessoas de orgulho.

Eu sinceramente gostaria que não houvesse tanto dinheiro envolvido no mercado gospel. Gostaria que mais e mais bandas redefinissem suas visões acerca do que estão fazendo. Gostaria de poder mudar a mentalidade de muitas igrejas e fazer com que elas investissem mais em missões ou em seus membros do que nas bandas convidadas do congresso jovem, mas não posso. Veremos no que isso vai dar um dia.

Quanto às bandas, no próximo texto falaremos um pouco sobre como tentar equilibrar o chamado, mantendo-o o mais puro possível com uma visão sadia de mercado, e nas formas que a banda pode pensar para fazer sua divulgação de forma criativa e honesta.

Até a próxima,

Eduardo Mano

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Coletânea MPB Santo

É com muita alegria que divulgo aqui a coletânea do blog MPBSanto do amigo (e também designer) Cleber Gossi.

A idéia do CD partiu dele, ao contactar diversos músicos brasileiros independentes (que tocam ritmos que vão da MPB, passando pela música regional e chegam no rock) que ousassem ceder músicas suas para o projeto. Dentre a galera que ousou, estão Alforria, Sacrifício Vivo, Elly Aguiar, Diego Venâncio, Tiago Vianna, Fabinho Silva e o mestre (mesmo!) Carlinhos Veiga, de quem você muito provavelmente já ouviu falar.

Além, é claro, da gente.

Clique na imagem abaixo para irao link do download:

Eis aí o release do lançamento:

Release
É com imensa alegria que o blog MPB Santo lança seu primeiro CD virtual, gratuito para download.
Este projeto tem como objetivo promover o blog MPB Santo que, por sua vez, tem como objetivo ser um canal de divulgação da boa música cristã brasileira.
O CD MPB Santo – Volume 1 foi concebido em parceria com os músicos/bandas: Alann Marino, Alforria, Arlindo Lima, Carlinhos Veiga, Claudio Martos, Diego Venâncio, Eduardo Mano, Elen Lara, Elly Aguiar, Fabinho Silva, Ivan Melo, Joede Cruciti, Nando Padoan, Sacrifício Vivo, Saulo & Renata Calantone e Tiago Vianna.

Ficha técnica
Cada faixa deste CD foi gentilmente cedida para este projeto, sendo gravadas , produzidas, mixadas, produzidas e masterizadas por diferentes profissionais e músicos.
Para maiores detalhes da produção de cada faixa, entre em contato com o respectivo músico/banda.
Arte e design: Cleber Gossi - http://www.gossidesign.com.br/cleber@gossidesign.com.br
Fotos: Fernanda Lopes - dinhalopes@hotmail.comhttp://br.olhares.com/fernandalopes
Músicos:
Alann Marino - alann.marino@bol.com.brhttp://twitter.com/Alannmarinohttp://alannmarino.wordpress.com/
Alforria - contatoalforria@gmail.comhttp://www.alforria.net/
Arlindo Lima - arlindo.lima@uol.com.br
Carlinhos Veiga - cveiga@terra.com.brhttp://www.carlinhosveiga.com.br/
Claudio Martos - claudio@buenaonda.com.brhttp://www.buenaonda.com.br/
Diego Venâncio - diegovenanciosilva@gmail.comhttp://diegovenancio.blogspot.com/
Eduardo Mano - eduardomano@gmail.comhttp://www.eduardomano.net/
Elen Lara - elenlararocha@gmail.comhttp://www.elenlara.com.br/
Elly Aguiar - elly.aguiar@gmail.comhttp://ellyaguiarmusic.blogspot.com/
Fabinho Silva - fasilva_h@hotmail.comhttp://raizdumaterraseca.blogspot.com/
Ivan Melo - ivanmelo06@yahoo.com.brhttp://www.myspace.com/ivannogueiramelo
Joede Cruciti - joede.cruciti@gmail.comhttp://www.emporiocristao.com.br/
Nando Padoan - nandopadoan@hotmail.comhttp://www.myspace.com/nandopadoan
Sacrifício Vivo - gruposacrificiovivo@gmail.comhttp://www.sacrificiovivo.com/
Saulo e Renata Calantone - renata.calantone@yahoo.com.brhttp://duosauloerenata.blogspot.com/
Tiago Vianna - tiago@tiagovianna.comhttp://www.tiagovianna.com/

O blog MPB Santo agradece a todos os músicos envolvidos neste projeto, que Deus retribua a generosidade de cada um e continue a inspirá-los na composição e execução de novas canções!

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”
Colossenses 3:16

Baixe o CD MPB Santo – Volume 1, se possível imprima a arte, e distribua-o a um(a) amigo(a), não deixe de citar e prestigiar os músicos que participaram deste projeto!

Incentivo que você, após baixar o material, comente no post que o Cleber escreveu no MPBSanto. Iniciativas assim precisam ser incentivadas e parabenizadas.

Um abraço e boa música!

Eduardo Mano

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Mercado da Música. E eu com isso?

Ainda na seqüência, recentemente encontrei uma entrevista do Robin Pecknold, líder dos Fleet Foxes, falando a respeito de downloads ilegais e da indústria. Veja como o pensamento do cara é diametralmente oposto ao da maioria das bandas de hoje. Eu já tinha percebido que, quando o último disco da banda, Helplessness Blues, vazou, ele ficou feliz com o que as pessoas estavam escrevendo (falei sobre isso neste post aqui). Agora ele explica melhor seu pensamento.

Veja: eu baixei a discografia dos Fleet Foxes, e eu me dei ao trabalho de comprar os CDs importados (que sairam mais baratos que dois CDs da seção “religiosos”das Lojas Americanas, mesmo incluindo o frete). Muitas (muitas mesmo) das pessoas que baixaram meu disco Velhas Verdades se interessaram em comprar, e ainda hoje tem alguém levando uma, duas cópias. É claro que, ao contrário dos Fleet Foxes, nós ainda não gravamos um vídeo no La Blogothèque, e nem mesmo vivemos de música, mas há público para todos.

Fique aí com a entrevista.

FLEET FOXES FELIZES COM DOWNLOADS

O cantor da banda Fleet Foxes, Robin Pecknold, insiste em dizer que não se importa se pessoas baixam sua música ilegalmente, já que é algo que ele mesmo faz de qualquer forma.

A banda Fleet Foxes encara as reclamações a respeito de downloads ilegais como “nojentas”.

O grupo não entende a por que músicos não ficam felizes com o fato de seus fãs adquirirem sua música gratuitamente na internet e incentiva que as pessoas adquiram sua música da forma que quiserem.

O cantor Robin Pecknold diz: “Não me importo com pirataria, eu já baixei centenas e centenas de discos, por que deveria me importar se alguém baixar o nosso? É realmente algo besta com o que se importar, de quanto dinheiro eu preciso? E acho nojento quando as pessoas reclamam disso. Eu sou absolutamente a favor de downloads ilegais.”

O líder da banda diz que o fácil acesso à música nos dias de hoje só pode ser benéfico à indústria.

El ainda disse à revista BANG Showbiz: “Eu creio que quanto mais música você puder ouvir – e em especial os músicos – só irá tornar a música melhor e estamos vendo isto agora quando pensamos nas novas bandas, elas estão se saindo bem melhor agora, e fazendo mais música boa que antes.”

Escrito por Eduardo Mano en Faça um favor a si mesmo,Mercado da Música,Música,Pensamentos Dispersos y tiene (4) Comentarios

Mercado da Música. E eu com isso?

Quem escreve (qualquer coisa) sabe que frases de efeito são sempre bem-vindas para gerar aquela sensação nos outros de que nós sabemos do que estamos falando. No texto anterior eu afirmei que nossa educação musical é feita pelos programas de auditório e pelas rádios FM, e eu gostaria muito que essa fosse apenas mais uma frase de efeito, mas ela é a realidade.

Todos nós que temos menos e 35 anos crescemos, muito provavelmente, tendo a TV como babá. Pegamos, alguns (os com mais de 30), um pouco do programa do Chacrinha, tivemos Xuxa e Angélica comandando nossas manhãs, Silvio Santos e Gugu Liberato trazendo as apresentações em playback do que era sucesso nas rádios de São Paulo, bem como a boy-band Polegar (a resposta tupiniquim ao New Kids on the Block?). De qualquer forma, a não ser que esteja enganado (o que creio não estar), tudo isso era fruto dos investimentos dos departamentos de marketing das gravadoras, que não economizavam em jabás para que seus produtos fossem vendidos.

Ficamos rendidos a isso por alguns anos até que em 20 de outubro de 1990 nascia a Mtv Brasil, então focada exclusivamente em música.

E aqui é importante fazer um adendo. Não estou nem cogitando a hipótese de que não haja ou houvesse jabá na Mtv. É claro que há. Só que com 24h de programação, fica complicado você só ter espaço para bandas de gravadoras dispostas a desembolsar uma verba. E quem assistia, como eu, a programas como Lado B do “Reverendo” Fábio Massari ou aos Fúria Metal (versão nacional do clássico Headbanger`s Ball da Mtv Americana – que ainda é veiculado) e Gás Total, ambos apresentados por Gastão Moreira, e ainda aos programas do Kid Vinil, Luís Thunderbird e outros VJs que tinham programas dedicados ao rock e suas vertentes, sabe que muitas das bandas que passaram por lá eram pequenas, às vezes independentes, e ainda assim tinham um lugar ao sol. Com a Mtv, houve oportunidade.

Particularmente, no mesmo ano em que a Mtv nasceu eu comecei a ouvir heavy metal, e muitas das bandas que conheci na época, a emissora as trouxe à minha casa. Era uma época em que discos de bandas desconhecidas ou fora do mainstream eram mais baratos, então minha coleção de vinis foi bem grande. A oportunidade que a Mtv nos deu foi a de expandir nosso conhecimento musica. Ela nos apresentou bandas e estilos que, até então, não estariam acessíveis a uma criança de 11 anos. Eu, que não tinha idade para frequentar bares de rock ou até mesmo para ir às lojas especializadas em metal, podia “consumir” tudo isso através da minha antena UHF (coisa que muitos dos que estão lendo agora certamente irão ao santo Google perguntar o que é).

Graças ao bom Deus, a internet chegou à vida dos brasileiros quase que ao mesmo tempo em que a Mtv decidiu que música não “vendia”, e começou a se dedicar à retransmissão dos (péssimos) reality shows da matriz gringa. Mas a benção já havia sido espalhada, e o que começou na televisão, ganhou força exponencial através das conexões discadas. Sim amiguinhos, antes da internet 10Mb que você tem em casa, nós utilizávamos conexões discadas que nos permitiam baixar um arquivo MP3 (veja bem, um arquivo, não um disco) em pouco menos de 4 horas.

O que vem depois disso, todos já sabem. Downloads de discografias completas de bandas, Napster, eMule, Metallica processando um monte de gente e não adiantando nada, mais downloads “ilegais”, sites, blogs e comunidades dedicadas a divulgar música, bandas desconhecidas e discos raros.

E onde entra o tal mercado da música nisso tudo? Aí é que está, nem eles sabem. A vanguarda, o mando de campo, já não está mais com eles.

É claro que os artistas que gostam de música e a querem tornar acessível ainda são menos ouvidos (afinal, o jabá e todo marketing das majors ainda abre portas), mas quem os ouve está mais disposto a “espalhar as boas-novas”. O mainstream quer nos dizer que os downloads gratuitos não ajudam em nada as bandas, plantando posts fakes em blogs direcionados ao mercado independente, mas se esquecem que hoje muitas das produções são tão “caseiras” quanto as fitas demos do Nirvana que os tornaram conhecidos na Seattle do final década de 80, antes da Sub Pop assinar com eles, e isso faz com que os custos caiam vertiginosamente, possibilitando assim que artistas distribuam seu material sem custo (ou a um custo bem mais apropriado) aos ouvintes.

As bandas cristãs teriam muito a aprender com as novas tendências, se não estivessem tão preocupadas em soar como uma cópia do United, ou se cada banda que se forma nas igrejas já não tivesse o intuito (como se esta fosse a única forma de “acontecer”) de assinar um contrato com alguma gravadora (falaremos mais sobre isso em outro texto). Ainda há gente esbravejando quando suas músicas são passadas adiante pela internet, e mesmo nos casos em que a venda dos CDs é a única fonte de renda do artista, ainda assim eu creio que a disseminação não é de todo mal. Especialmente quando ser conhecido é crucial para o bom andamento do ministério.

Mas tudo isso será abordado mais para frente.

Eduardo Mano

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Mercado da Música. E eu com isso?

Eu ainda compro Cds. Confesso que em bem menor quantidade que há alguns anos atrás, mas ainda os compro. Fui colecionador meio que compulsivo de discos até 2001, quando comecei a ser mais seletivo com minhas aquisições. Só que, assim como acontece com quase todos os cidadãos com uma conexão de internet em casa, de uns anos para cá tenho mais baixado que comprado discos.

Acho aqui importante frisar uma coisa. Como vocês sabem eu sou músico, e a venda dos meus Cds ajuda um bocado no caminhar da minha banda / ministério, mas creio que os preços praticados pelas gravadoras (sejam elas cristãos ou não) é abusivo. Há Cds fabricados no Brasil, de artistas nacionais, que chegam a custar uma pequena fortuna. Isso, para um produto que supostamente é mídia para a divulgação da cultura é absurdo.

Mas ainda assim, creio que comprar Cds é um hábito de certa forma saudável. Se não for pesado ao seu bolso, ganha você, que adquire cultura e em alguns casos ganha o artista, que consegue sua renda justa (além de um admirador).

No Brasil, e em nossa cultura cristã atual, há um sem-número de artistas independentes que, mantendo o pé no chão, oferecem seus Cds por preços justos e acessíveis. Gente que algumas vezes conta apenas com a ajuda de uma distribuidora para que seu trabalho chegue a lugares onde ele mesmo ainda não pode chegar. E também há muitos que correm por fora, criando lojas online, perfis em redes sociais, entrando em contato direto com aqueles que curtem seu trabalho e contando com a ajuda de amigos e admiradores para fazer seu trabalho chegar a outros ouvidos.

Confesso que nessa situação eu me vejo um pouco romântico. Um pouco não, muito. Desde que gravei meu primeiro trabalho, enxerguei na distribuição gratuita do conteúdo digital não uma oportunidade (apenas), mas a chance de dar de volta algo que eu já havia recebido em grandes doses, uma espécie de tributo ao legado de música evangélica que eu havia recebido e adquirido ao longo de anos. Entendia que era uma oportunidade de fugir do padrão “prosperidade / má teologia” que de alguma forma deixamos que tomasse conta do nosso cancioneiro. Então, indo além desse pequeno ato, chegou um momento em que decidi que sempre que gravasse alguma coisa, entregaria isso de volta na forma de download gratuito. Mas sim, também com a opção da mídia física tradicional para aqueles que quisessem abençoar o trabalho.

De qualquer forma, não creio que este pensamento seja para todos, e nem creio que eu seja alguém melhor por pensar assim. Meus “heróis”, que não morreram de overdose, todos, vendem Cds. Os que não ganho (esse é o lado positivo de ser amigo de alguns de seus heróis) eu faço questão de comprar, por aqueles motivos que listei no início do texto: ganho eu, que adquiro cultura (e também bençãos, sim) e ganha o artista, que consegue sua renda.

Fico feliz que a maioria dos meus “heróis” sejam praticantes dos valores justos de suas obras, mas há uma tendência nisso: todos são independentes. Daí alguém pode dizer: “mas os Cds de gravadoras são mais caros pois os custos de marketing e produção estão envolvidos e tambézzzzzzzzzzzzzzzzzzzz”. Foi mal esse papo me deixou com sono e acabei dormindo no teclado. As gravadoras (e isso inclui as evangélicas) investem alto em seus lançamentos pois, em geral, o que elas lançam é lixo, e lixo que precisa ser vendido. Se lançassem música de qualidade, garanto que os investimentos com marketing seriam menores, pois coisa boa é passada adiante sem custo.

Mas, como nem tudo é perfeito, é claro que isso esbarra em outro problema: o fato de que nossa educação musical é feita pelos programas de auditório e pelas rádios FM. Mas isso é outro papo.

Eduardo Mano

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