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Eu canto Keith Green

Keith Green está longe de ser uma unanimidade, creio, no cristianismo. Sua música e postura foram radicais e incomodaram muita gente. Na verdade, ainda incomodam. Queria aqui pensar em alguns aspectos de sua vida, ministério e música que são tão controversos hoje quanto foram no final da década de 70, durante seu curto (mas expressivo e importante) ministério.

Vida

Keith Green não era um cristão típico, daqueles que nós conhecemos. Sua criação e conversão se deram de forma pouco ortodoxa, e contribuíram de forma decisiva com a maneira pela qual ele e sua esposa viviam. Tendo se convertido em meio ao grande avivamento entre os jovens ocorrido na década de 70 nos Estados Unidos, conhecido como Movimento de Jesus. Neste tempo, Green era um músico que se empenhava em tocar na noite, em bares locais. Foi nesta época em que conheceu sua esposa, Melody, uma jovem hippie, como a maioria dos que ouviam sua música.

Após um namoro de aproximadamente um ano, Keith e Melody se casaram. Ambos estiveram envolvidos nos primeiros momentos da igreja Vineyard, antes mesmo dela ser estabelecida em definitivo com a liderança de John Wimber, igreja que também o ordenou ao ministério pastoral. Com isso, Keith começou a acrescentar ao seu repertório canções que falavam explicitamente de Jesus,  da realidade do inferno e da salvação que Cristo nos dá através de seu sangue. Esta atitude afastou grande parte de seu público nos bares onde tocava, ao mesmo tempo em que trouxe muitos jovens ao arrependimento e a largar os vícios.

Keith e Melody Green sempre mantiveram as portas de sua casa abertas a qualquer um que precisasse de um lugar para ficar. Diariamente, em sua sala de estar, jovens recém libertos das drogas, viajantes e sem-teto se juntavam para ouvir a ministração da Palavra de Deus, pequenos estudos e devocionais que Keith preparava. O grupo cresceu tanto que os Green adquiriram outras casas perto de onde moravam para acomodar a todos, e após alguns anos, compraram uma propriedade no Texas onde construíram dormitórios, uma sede, escritórios, e fundaram o “Last Days Ministries”. Todos se mudaram para lá e viveram juntos, em comunidade.

Keith e Melody escolheram acolher os rejeitados, pois conheciam suas lutas e dores. Muitos jovens passaram por tratamento para abandonar as drogas. Muitas mães solteiras encontraram ajuda e um teto para criar seus filhos com segurança. Muitos jovens perdidos e sem esperança encontraram um emprego, uma razão de vida, e a paz que Cristo garante aos seus.

Ministério

O ministério principal de Keith Green era a música, e secundariamente, o púlpito. Como a maioria dos ministros de música, Keith não raramente pregava durante suas apresentações. Ele tinha algum conhecimento teológico, formado pela mentoria do avivalista Leonard Ravenhill, e pela leitura de diversos autores, entre eles Charles Finney. Falaremos mais disso em seguida.

Durante seus poucos anos de ministério, Keith gravou 5 discos, sendo 3 de músicas cristãs voltadas ao evangelismo e exortação da igreja, um disco de “melhores” e um último, de adoração – um dos primeiros discos de adoração (nos moldes que conhecemos hoje em dia) gravados no mercado americano. Seus dois primeiros discos foram lançados pela Sparrow Records. O terceiro foi lançado de forma independente, e aqui é necessário dizer algumas palavras.

“So you wanna go back to Egypt” foi lançado por uma gravadora própria, chamada “Pretty Good Records”. Green pediu desligamento de sua gravadora, pois entendia que a música cristã não poderia ser vendida, mas sim dada de graça (ou adquirida pelo valor que o ouvinte pudesse pagar). A gravadora o liberou de forma amigável, entendendo que Keith deveria prosseguir com sua ideia. Esta forma de pensar acompanhou Keith pelo resto de seu ministério, até o final de sua vida. Não apenas isso, como ele não tocava em eventos pagos, apenas shows gratuitos. Ninguém deveria pagar para ouvir o Evangelho.

Traduzo a seguir um trecho de texto extraído de um folheto lançado em 1979, à época do disco “So you wanna go back to Egypt?”:

“Keith Green acabou de lançar um novo álbum, e ele não estará disponível em nenhuma livraria ou através de nenhum meio comercial. A gravadora Pretty Good Records recebeu o direito exclusivo de Keith para distribuir o álbum para qualquer um pela quantia que este puder pagar em troca.

A razão principal para não cobrarmos um valor fixo pelo álbum é simples: nós queremos que todos, não importa o quanto tenham (mesmo que não tenham nada), ouçam o ministério da nova vida em Jesus que flui deste álbum poderosamente ungido.

No Ministério Last Days, nós sempre nos importamos com os pobres. Até hoje, nós já mandamos mais de um milhão de artigos, milhares de fitas cassete, e a cada seis semanas nós enviamos uma revista, para quase 100.000 pessoas em todo o mundo, e nós nunca cobramos nada a nenhuma delas. Nós cremos que se o Senhor dá algo a você de graça, então você deve partilhar disto de graça (Mateus 10.8). O novo disco é nosso maior empreendimento até hoje, e nós não queremos que ninguém fique de fora!

Nós realmente gostaríamos de dividir este ministério musical com você, então se você quer uma cópia do novo disco de Keith, utiliza o cupom em anexo, e nos envie aquilo que você puder, da forma que Deus lhe dirigir.

Nós sabemos que há muita confiança envolvida nesta ação. Alguns nos avisaram que alguns utilizariam esta oportunidade para ‘ganhar um disco de graça’. Mas esperamos que você entenda que estamos fazendo isso não para que as pessoas consigam uma ‘pechincha’, mas porque é difícil para algumas pessoas conciliar o pagamento de 8 dólares por um disco cristão, quando eles nem mesmo podem comprar sapatos para seus filhos.”

Esta é uma atitude que causa calafrios nos executivos de gravadoras ainda hoje, e um caminho que poucos artistas querem trilhar… mas à luz da Palavra, não consigo ver outra alternativa. Tratarei disto em outro texto, em outro momento.

Música e Teologia

A música de Keith Green é seu maior legado. Mesmo no Brasil, há anos temos duas versões para “Oh Lord, You’re Beautiful” (Senhor, Formoso És, cantada por Marcos Góes e PG). Seus dois primeiros discos foram carregados de uma mensagem muito forte de juízo e exortação, mensagens proféticas (no sentido bíblico da palavra) para a igreja daquela época e, muito certamente, de hoje. Em seu terceiro disco, vemos como a Graça tomou um papel importante em sua vida, balanceando isso com a Justiça de Deus.

Keith escrevia sobre a urgência de ter sua vida resgatada e limpa por Cristo. Ele escrevia sobre a realidade do inferno e do diabo (de fato, três de suas músicas são escritas tendo o diabo como protagonista, todas excelentes – “Lies”, “No one believes in me anymore” e “Dear John Letter”), sobre a inconsistência na vida de muitos cristãos (“You love the world and you’re avoiding me”, uma das letras mais sinceras sobre o descaso que temos com as coisas de Deus que já ouvi), sobre a falta de ação da igreja em alcançar os perdidos (“Asleep in the light”, que me emociona cada vez que a ouço) e ainda diversos outros temas relacionados à Igreja, vida cristã, missões, ministério… cristianismo em geral.

Musicalmente, não há dúvidas que Keith Green era um gênio. Sua habilidade ao piano e seu registro vocal fizeram dele um artista conhecido e respeitado por toda a América do Norte e em todo o mundo, mesmo após a sua morte. Uma comparação poderia ser feita entre seu estilo e o do canto Elton John. Green cantava com entusiasmo e interpretava suas músicas de forma contagiante. A única explicação plausível para o fato de ele nunca ter encontrado sucesso no meio secular é a vontade de Deus e o ministério que Ele havia separado para Green e sua esposa.

Suas letras eram um reflexo de sua forma de pensar 8 ou 80, e também da teologia que lia. Um homem que teve grande influência em sua vida foi Leonard Ravenhill, e seu livro “Por que tarda o pleno avivamento”. Essa vivência que ambos tiveram influenciou bastante a mensagem de exortação de Green. Outro homem importante na vida de Green foi Loren Cunningham, fundador da YWAM (JOCUM), missão que Green abraçou e apoiou financeiramente. Missões também teve uma grande parte na teologia de Keith Green, e uma de suas músicas mais conhecidas, “Jesus Commands us to go” (lançada em um álbum póstumo) mostra como ele pensava missões (a letra diz, em português: “Jesus diz para irmos, deveria ser uma exceção se nós ficarmos”) Além dele, os livros de Charles Finney também tiveram grande influência.

Charles Finney foi um avivalista do século 19, com pensamentos e teologia muito peculiares (caso tenha interesse, aqui está um artigo onde boa parte de sua teologia é explicada). Para o nosso caso, o que podemos perceber de sua influência em Keith Green, foi a sistematização do avivamento (seguir passos específicos para chegar a um avivamento ou mover de Deus), como Finney fazia. Isso foi prejudicial (e vemos como fez mal a ele ao ler a biografia “No Compromise”, escrita por sua esposa) pois, muitas vezes, gerava nele uma expectativa por alcançar um objetivo, meramente por ter seguido os “passos” corretamente. Mas percebemos que, ao final de sua vida, as influências de Cunningham e Ravenhill foram ainda maiores (em especial por serem exemplos e mentores vivos, que o visitavam e oravam por sua vida).

Conclusão

Para mim, Keith Green foi um grande homem de Deus. Sua vida ainda me influencia (e, certamente, a de milhares de cristãos ao redor do mundo). Eu não tenho a menos dúvida de como Deus usou sua vida e ministério para fortalecer a vida de muitos cristãos em sua época, e para resgatar a vida de outras tantas pessoas. Seu amor pelo Senhor constrangeu e contagiou inúmeras pessoas, e suas músicas ainda falam. De fato, Leonard Ravenhill, ao falar no velório de Keith Green, disse que “ele, mesmo morto, ainda fala”.

Aquilo que está disponível de Keith Green para nós, se torna a forma de o conhecermos. Há vídeos, livros e músicas. Tive a oportunidade de ver o documentário sobre sua vida (disponível aqui em inglês), ler os livros “No Compromise” e “Se você ama o Senhor” e ouvir seus discos, e posso testemunhar do quanto Deus falou e fala através deste material. Excessos e erros, todos cometemos. A diferença é o quão prontos estamos a mudar nosso caminho.

Este texto está longe de fazer justiça à memória de nosso irmão Keith Green, mas espero trazer um pouco de informação àqueles que pouco sabem a respeito dele. Que Deus nos abençoe e nos leve a viver uma vida comprometida unicamente com a causa do Reino, e com Cristo.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Faça um favor a si mesmo,Música,Teologia y tiene (7) Comentarios

Quando Deus fala

Esses dias eu passei algumas horas em uma cafeteria, ouvindo música, escrevendo e pensando em alguns momentos da minha vida. Parece que ultimamente Deus me tem dado a graça de recordar alguns momentos que se passaram há tanto tempo que nem sei quantos anos, mas que na memória, parece que ocorreram ontem.

Esta última lembrança aconteceu há, creio, uns bons 10 anos. Morava com meus pais e estava indo visitar Eline, que na época ainda era minha namorada, na casa de seus pais. Eu não me lembro por qual situação eu passava na época, mas lembro que era algo que estava tirando a minha paz. Lembro de andar pela rua preocupado. Daí…

Um adendo que vocês já conhecem. Todos vocês sabem que eu gosto muito de hinos, que acho que a teologia que há neles é superior à dos cânticos, essas coisas todas. E eu ouço hinos desde pequeno (como vocês também sabem). Dou graças a Deus por essa herança tradicional batista que me permite ter um pequeno hinário aqui dentro da cabeça. Não me permite lembrar a letra das minhas próprias músicas, mas as dos hinos eu lembro. Voltemos ao texto.

Enquanto andava pela rua, preocupado, passou um carro de som fazendo propaganda de alguma coisa. Claro que não me lembro o que era (leia acima minha confissão de não lembrar nem mesmo a letra das minhas próprias músicas). O peculiar disto tudo é que a música que o carro de som tocava (apenas a melodia, sem vocais) era o hino 328 do Cantor Cristão, Sossegai, cujo refrão é o seguinte:

As ondas atendem ao meu mandar: sossegai!
Seja o encapelado mar
A ira dos homens, o gênio do mal
Tais águas não podem a nau tragar
Que leva o Senhor Rei do céu e mar
Pois todos ouvem o meu mandar: sossegai, sossegai!
Convosco estou para vos salvar: sim, sossegai!

Lembro-me claramente de sorrir. Lembro-me claramente de sentir o peso sendo tirado dos meus ombros, pela simples lembrança de que Cristo nos ensina a sossegar. Lembrei-me do salmo 46.10, que diz “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra.” Não foi algo místico, com anjos cantando e coisas assim: foi a lembrança de uma verdade bíblica que vale para todos nós, e a “paz de Deus, que excede todo entendimento” e guarda nosso coração e sentimentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.7).

Não tenho dúvidas que quando Deus fala conosco, em nosso íntimo, Ele usa aquilo que conhecemos Dele através de Sua Palavra, testemunho mais que perfeito e verdadeiro. O texto de lamentações 3.21, “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” requer que pensemos em algo: trazer de onde? Do ar? Creio que a resposta esta no Salmo 119.11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” É de lá que  trazemos à memória o que pode nos dar esperança.

Leia a Bíblia. Diariamente, eu diria, se possível. Cante músicas que reflitam verdades bíblicas e que sirvam de auxílio à sua vida espiritual, pois eu garanto: Deus vai usar Sua Palavra e algumas músicas para falar com você, um dia. Ouvir Deus falar conosco não é algo restrito a uns poucos “especiais”. Como lemos em 1º João 5.1,2 “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos.

Somos filhos de um Pai que se comunica. Lembre-se disso.

Um abraço!

Eduardo Mano

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Velhas Verdades… cantata de páscoa?

Como a absoluta e esmagadora maioria de vocês sabe, eu cresci na igreja batista. Passei boa parte do meu tempo cantando em corais e participando de cantatas de páscoa e natal, seja cantando ou tocando.

Pula para quase um mês atrás, quando eu recebi o seguinte comentário no blog:

“Conheci seu trabalho recentemente tirando algumas músicas para a cantata da igreja de um amigo. Gostei bastante do seu trabalho.”

Oi?

Escrevi para o rapaz, e então entendi o que estava acontecendo: o pessoal da Igreja Batista Regular de Indaiatuba quis fazer algo diferente este ano para a celebração da Páscoa, e então teve a ideia de utilizar músicas de alguns compositores cristãos para compor uma cantata (além das minhas músicas, estão usando também músicas do grande Elly Aguiar e da Ju Bragança). Só que tem um detalhe: Eles estão utilizado o Velhas Verdades em sua (quase) totalidade (a exceção é Como Ninguém me Conheces). E para vocês não acharem que eu tô de brincadeira, segue o cartaz que eles fizeram para convidar o povo:

Acho que nem preciso dizer o quanto estou feliz com isso. Demorei para postar a notícia aqui no blog, é verdade, mas foi por falta de mais tempo e não por falta de felicidade.

Por isso, se você é de Indaiatuba e quiser dar um pulo lá, ver como ficou o trabalho e PRINCIPALMENTE adorar a Deus pelas velhas verdades da Páscoa, o recado está dado. E aproveita para dar um abraço no Pr. Eduardo por mim.

Este foi um post completamente #BatistaFeelings. :)

Um abraço em vocês aí.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Música,o amor é lindo,Teologia y tiene (1) Comentario

Falando sobre a música “Sem Fé”

Confesso que achei que um post sobre esta música não fosse necessário. Lá se vai mais de um ano desde que a lancei no Velhas Verdades, mas hoje, por conta de uma excelente novidade, preciso fazer alguns adendos a ela. Não justificativas, pois não creio que seja necessário justificar uma letra de música, mas algumas informações que podem ajudar aos (poucos) que não sacaram a ideia dela.

A excelente novidade à qual me refiro é que os amigos da Virá, marca de camisetas que tem por motivação ajudar a propagar as boas-novas do Reino de Deus, irá lançar, em sua coleção 2012, uma estampa baseada nesta letra (e no cartaz que o amigo Renan Valadares fez). Eis aí a arte da camiseta:

Isso tudo, é claro, me deixou muito feliz, como aos meninos da banda também. Mas alguns comentários (a minoria) transpareceram um não entendimento quanto à mensagem. A mensagem, é claro, é apenas um segmento da letra como um todo, e diz: Sem fé, meus atos são em vão. Talvez, para um não cristão, realmente a frase cause alguma “revolta”. Como foi dito em um dos comentários, “Não me parece vão um ateu ajudar um órfão porque ele não tem fé.” No sentido de ajuda, auxílio, a mim também não parece vão. E certamente muito menos ao órfão, beneficiado da boa ação.

Mas a questão é que estamos falando aqui das coisas de Deus. E com Deus, meus amigos, boas ações, obras, caridade e afins não são moedas de troca.  A música parte de uma premissa muito simples, encontrada em Hebreus 11. No versículo 6, lemos claramente: “sem fé é IM-POS-SÍ-VEL agradar a Deus”. O texto prossegue dizendo que “pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam.” E isso é a coisa mais linda. Explico.

Uma leitura incauta do texto pode levar a crer que sim, Deus trabalha na base da troca. Mas meus queridos, prossigamos na leitura do texto, até o maravilhoso verso 13: “Todos estes [Abel, Enoque, Noé, Abraão, e Sara] ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.”

Como pensar em moeda de troca quando lemos que eles, vivendo pela fé, morreram sem receber aquilo que o próprio Deus havia lhes prometido? Eu respondo, meus amigos. É por que aquilo a que o verso 6 se refere, a recompensa a qual o texto faz menção, é o próprio Deus. É a presença constante Dele em nossas vidas, pois vivemos e andamos por fé.

Por isso, afirmo a letra da música: “sem fé meus atos são em vão”, pois sem fé é impossível agradar a Deus. Não nego, com isso, o que está escrito em Tiago, pois de fato: a fé, sem obras, é vazia. Me refiro, antes, às obras sem fé, que não têm fundamento algum, embora, claro, tragam benefício.

Segue a letra da música completa, e também a música, para ser ouvida:

Sem Fé – Eduardo Mano

Sem fé, não dá pra prosseguir
Sem fé, não dá pra enxergar
Não há como esperar que tudo vá mudar
Se já não há mais fé

Sem fé, meus passos não têm chão
Sem fé, tateio a escuridão
Buscando me apoiar
Mas nada irei achar
Se não houver mais fé

Sigo a vida sem prazer algum
Vai-se o norte, sigo rumo ao sul
Deixo a Rocha, deixo a paz da cruz
E vou perdido

Sem fé, meus atos são em vão
Sem fé, vazio é o coração
Não há como agradar Aquele que de mim
requer apenas fé

Sem fé by eduardomano

Escrito por Eduardo Mano en Música,Teologia y tiene (5) Comentarios

Entrevista ao Cante as Escrituras

Na Conferência Cante as Escrituras regional aqui do Rio de Janeiro, eu e o Yago sentamos por alguns minutos para conversar… e o resultado é esta épica entrevista com 3 perguntas. :)

Brincadeiras à parte, conversar com o Yago foi um ponto alto do ano passado. Espero que vocês curtam a entrevista.

Um abraço!

Eduardo

P.S.: a câmera engorda, de boa, uns 80 Kg, não é mesmo? rsrsrsrs

Escrito por Eduardo Mano en Música,Teologia y tiene (3) Comentarios

a quem interessar, parte 2

Às vezes eu não faço ideia do que eu estou fazendo. Refiro-me ao lado musical da minha vida.

Este talvez seja o texto mais difícil que já escrevi. Sinceramente, é um exercício autoavaliação bem complicado admitir algumas das minhas falhas (para não dizer pecados), mas este ano estas coisas ficaram tão latentes para mim que não escrever isso seria não dar mais um passo rumo a uma libertação que espero em Deus.

Eu sofro de uma incrível dose de pessimismo, e minha constante autodepreciação não é ferramenta para o “ei, olhem para mim”, mas sim algo infelizmente verdadeiro. Quando apresento uma música nova a alguém, eu nunca espero que ela possa ser “gostada”, mas sim, criticada.

Tendo dito isto, posso dizer que algumas atitudes que tomei durante este ano em relação à minha suposta “carreira” musical foram completamente equivocadas, embora tenham sido divertidas. Por exemplo, no início do ano convoquei meus amigos (e a pessoas que nem conhecia) a votarem na banda para que participássemos de um festival. Enchi o saco de um monte de gente, e acabamos indo lá tocar. Mas antes, eu passei um mês em Manaus com Eline. Arrisco dizer que foi, de longe, o melhor mês do ano. Senti Deus, de alguma forma, reafirmando algumas coisas para mim. E depois, fomos para o festival, que foi muito legal. Mas a experiência na cidade de São Paulo, no geral, foi péssima. Horas antes de voltarmos ao Rio, eu estava muito mal, questionando tudo aquilo que Deus havia reafirmado algumas semanas antes, enquanto olhava o céu do barco, entre uma comunidade ribeirinha e outra, vendo o poder e glória de Deus através da criação.

Durante a volta para o Rio, de ônibus, pude refletir no quanto estive errado em perseguir aquele final de semana, como se ele pudesse representar uma mudança em algo. Sou grato ao pessoal que nos levou, e guardo no coração os momentos com os amigos lá, mas não deveria ter ido.

Também pude ver o quão invejoso eu sou. Triste admitir isto, mas algumas vezes eu me vi desejando (cobiçando) aquilo que outras pessoas tinham, as oportunidades que lhes eram apresentadas, a exposição que lhes garantiam. Questionei a Deus as razões de eu não tocar tanto quanto outras bandas tocavam, de não ter tantos convites, tantos seguidores no twitter (sim, cheguei a ESSE ponto, olha que merda), tantas pessoas falando a respeito da minha música… e isso, lamentavelmente, foi roubando a alegria e a força de cada email e mensagem de pessoas não elogiando aquilo que eu compunha, mas dizendo o quanto Deus falou ao coração delas através de alguma música minha.

Ouvi coisas que não ajudaram muito, também. Soube que um amigo havia dito para algumas pessoas que eu não era mais conhecido pois não sabia me divulgar direito. Também ouvi (mais de uma vez) que se eu fizesse “um som como o da banda A ou B” mais pessoas gostariam daquilo que eu faço. Este não é o tipo de coisa que alguém com um problema de baixa auto-estima gosta de ouvir, além de levar à inevitável e maldita comparação.

Nunca fiz música pensando em mercados, e por muito tempo me esforcei em fazer tudo da forma mais independente possível. Tentei acreditar que estava utilizando as mídias sociais da forma correta, mas a verdade é que eu basicamente fracassei. Não sei aplicar ferramentas ao que faço, e tenho medo de fazer isto. Perceber que sou alguém invejoso (em tratamento constante) faz com que eu tenha medo de tentar algo que alguém faça muito bem, com medo de falhar e a inveja voltar a aparecer. E ao mesmo tempo, eu não quero mudar aquilo que penso e sou com vistas em ter maior exposição, alcançar mais gente… vou continuar rimando Cruz e Jesus quando for necessário. Só a título de exemplo, uma das pessoas que mais admiro neste meio musical cristão gravou apenas um CD em sua vida inteira após 35 anos de ministério e serviço à Igreja. E morreu logo após lançar o disco.

O que me leva a outro ponto: eu não faço música de igreja por achar que isso tem futuro, obviamente. Faço por plena convicção de chamado. Sei que falar em chamado significa dizer que é algo que sinto ser de Deus, e ao colocar Deus na questão eu praticamente excluo qualquer possibilidade de discussão, mas é a mais pura verdade. Não mudei o que faço em 18 anos: desde os 14 faço exatamente a mesma coisa: escrevo pensando em Deus mas duvidando que alguém vá gostar daquilo.

Apesar de quem eu sou, e das besteiras que penso, sinto e falo, eu tenho uma paixão profunda por aquilo que Deus opera através de músicas entoadas com o intuito de ensinar a respeito de quem Ele é, em louvor unicamente a Ele. Eu sei disso pois foi exatamente isto que me trouxe a Ele, mesmo sendo filho de um lar cristão.

Neste ano eu pude ver claramente aquilo que Deus permitiu acontecer em minha vida e aquilo que Ele barrou, na minha frente, na maior cara de pau, por me amar. Pude, como bem cantou João Alexandre um dia, ver “meus olhos no espelho, por fora um herói, por dentro um ladrão”. Ver meu pecado na minha frente e ser confrontado por isso. E sou grato a Deus por tudo isso (embora às vezes não entenda muito bem as coisas que acontecem). Eu não faço a mínima ideia de como será o ano que vem, embora tenha decidido em meu coração algumas coisas, mas o que eu espero sinceramente é que Deus continue Seu tratamento comigo. Que a inveja suma da minha vida, que a autodepreciação apareça bem menos e que Cristo seja glorificado naquilo que eu faço, e em minha família.

continua.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Música,Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (11) Comentarios

Crentes Cretinos

Você conhece esse pessoal. Aqueles que vibram quando alguma coisa dá errado na Igreja. E por Igreja, não quero dizer aquela congregação barulhenta na esquina da sua casa, mas sim a instituição Igreja, o Corpo de Cristo.

São aqueles que riem quando um irmão cai. Os que apontam o dedo quando o líder de louvor da antiga igreja deles aparece com a namorada grávida, ou quando o pastor da igreja do amigo assume que é homossexual e foge com um diácono. Eles riem. Eles têm prazer nisso, um prazer quase erótico.

São aqueles caras que escarnecem de quem adere a algum movimento de santidade sexual, ou qualquer tipo de santidade (se é que existam tais definições – ou é santidade ou não é). Falam mal do movimento, falam mal de quem assume ser parte, falam mal até de quem não tem nada a ver com o assunto, só pra falar mal. Fazem isso, sei lá, pra justificar a vida libertina que levam? Levam camisinha para a igreja, e a Bíblia num app de celular que nunca é utilizado.

São os crentinos que vão para o culto no domingo e ficam checando as atualizações dos amigos em seus smartphones. Ou pior: tiram fotos da banda übercool de “louvor” de sua igreja e postam nas redes sociais comentando como é legal que na igreja deles toque U2(?) e Coldplay(?). Depois do culto, vão pra uma baladinha, abrir a semana com uma cervejinha importada gelada ou um drink. Pergunte pra eles qual a passagem que o pastor usou na pregação e é mais fácil que eles lembrem que o mesmo citou uma bela música do John Lennon, mas se bobear, nem mesmo o João 3.16 sabe de cór.

Para eles, Jesus bom é o jesusmanero ou o buddy Jesus do filme Dogma. Fazer ação social ou caridade requer marca, slogan, camiseta, adesivo e tudo mais. E um nome em inglês. Porque se não for em inglês, não é hype.

São os crentinos que, quando afrontados por suas ações ou atos pecaminosos, soltam o clássico “não julgueis para que não sejais julgados”, como alguém que grita “tô de altos” num pique pega, ou pique esconde. Ou seja: continuam levando a vida como crianças.

“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.”

O texto de Isaías 55.6-7 é duro, mas é para todos. As coisas precisam mudar. De boa, precisam mesmo. Do jeito que está, daqui a pouco tem gente fazendo streaptease e dançando de cueca em pleno congresso jovem, em plena “igreja”, e achando tudo isso muito normal.

Mas creio que, para isso, já seja tarde demais.

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (3) Comentarios

Reforma, Zumbis e blá blá blá

Hoje 31 de outubro, se comemora muitas coisas.

Por exemplo, hoje é o dia do Saci, o que vem bem a calhar com o (também comemorado hoje) Halloween.

Neste dia, nasceram o ator Rob Schneider e Dunga (o técnico, não o anão). Neste dia, há quase 20 anos, morreu o ator River Phoenix.

Mas creio que o fato mais importante se deu a 31 de outubro de 1517, quando Lutero inicou a Reforma Protestante. E como muitos blogs de teologia séria (e alguns não tão sérios assim) já falaram tudo que havia a ser dito há alguns anos atrás, tudo que eu tenho para dizer é aquilo que eu tuitei na noite passada, em inglês:

Reformation Day kicks the crap out of Halloween, and thus I have spoken. Que numa tradução livre soaria como “o Dia da Reforma dá um chute na bunda do Hallwen, e tenho dito”. Certamente algo profundo e teológico.

Hoje também ficou marcado como o dia do meu interminável blá blá blá a respeito de como eu escreveria um filme a respeito da Reforma e de zumbis, e de como esse suposto filme receberia mais de 659 Oscares e uns 437 Grammies (sabe como é, eu não deixaria a música do filme em segundo plano). Mas é aquilo: cheguei em casa cansado e sem saco para escrever. O roteiro vai ficar pra depois.

No mais… Reforma Protestante. Livre acesso às Escrituras. Pessoas morreram por conta disso. Não é apenas um dia, e não deveria ser.

Um abraço!

Eduardo

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (1) Comentario

Outono, vídeo novo

Outono foi composta há alguns anos atrás. Foi na época em que eu estava no seminário e passava por uma situação não muito agradável de desemprego. Por mais que Deus suprisse tudo o que eu e Eline precisávamos através de amigos e família, eu precisava acreditar que a primavera chegaria e que aquila situação seria revertida.

Em outubro de 2008, um pastor amigo me indicou ao dono de uma agência de design. Lá estou até hoje. :)

Mas independente deste outono / deserto da minha vida ter passado, já passei desde então por outros, alguns mais curtos, outros mais intensos, mas ainda assim, eles vieram. E não tenho muitas dúvidas que esta fórmula se repetirá ao longo da minha vida. Afinal, se tem uma coisa que Jesus garantiu pra gente é que no mundo teríamos aflições.

Mas Ele venceu o mundo. :)

Voltando à música, ela é muito especial pra mim, e vira e mexe alguém por aí descobre ela e manda uma mensagem dizendo o quanto a canção está ajudando. Fico feliz com isso, pois essa era a intenção.

A versão do vídeo acima foi gravada durante o último Sarau da Vila, realizado pela Igreja Metodista de Vila Isabel, e contou com a participação do Léo, baterista da banda Grãos da Terra e do Marcus Bispo, tecladista amigo e fantástico, nesta ordem. :)

Espero que vocês curtam.

A Deus, sempre, toda glória.

Eduardo Mano

(quem quiser ver no youtube, clica aqui)

Escrito por Eduardo Mano en Música,Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (3) Comentarios

E você, o que está fazendo?

Tirei a foto acima no ano passado, em Buenos Aires. A frase “Y vos, que haces?” é parte da campanha da Converse na Argentina, e achei-a bem apropriada para ilustrar o que tá martelando aqui na minha cabeça.

No último sábado eu dei mole no twitter e postei algo que foi mal-interpretado por algumas pessoas. Era um texto do blog do Rev. Sandro Baggio, e algumas pessoas acharam que eu estava sacaneando ele. O post é este aqui, e quando o mencionei no twitter, disse a seguinte frase: “da pena do Rev Sandro Bagio”, querendo dizer “vindo da mão, do teclado, da mente do Rev Sandro Baggio”, mas alguns incautos entenderam como se eu dissesse ter pena do mestre.

Passado isto, acabei entrando numa conversa com mais dois amigos a respeito do tal “pensar fora da caixa” que muitos cristãos dizem fazer. Encerrei a conversa com eles dizendo que o problema não era pensar fora da caixa, o problema é, sim, deixar a caixa completamente suja, e querer ir pensar fora dela.

Muito se diz hoje a respeito de fazer igreja “fora das quatro paredes”. Mas o problema é que a igreja dentro das 4 paredes está em estado tal que, muitas vezes, pensar em sair dela é irresponsabilidade. E pior: geralmente quem quer pensar fora das4 paredes, ou da caixa, está indo contra lideranças, arrebatando pessoas com a mente enfraquecida por mentiras, com pouca base cristã. Gente que será levada por qualquer vento de doutrina e que precisava de mais alimento espiritual consistente.

Abrimos a boca para falar mal da igreja “institucionalizada”, e nada fazemos para mudá-la, de dentro pra fora. Ou ainda: não paramos para pensar se quem precisa de mudança é a igreja ou somos nós. Somos o filho pródigo: queremos a nossa herança com nosso pai ainda vivo, e acabamos por gastá-la com vícios e futilidades que julgamos ser importantes. O final da história, todos sabemos.

Escrevo este post ouvindo a música Jesus é o Rei da Glória, do Daniel de Souza. E acho que ela tem tudo a ver com isso que estou escrevendo. Jesus é o centro de tudo isso que fazemos. Ele deveria ser o centro da caixa e de fora dela, afinal, Ele não pode ser contido em nada, nem mesmo no Universo. “Todo poder te foi dado nos céus e na terra”, canta o Daniel, e canto eu.

Queremos fazer igreja baseada no “amor”, mas igreja só é igreja quando baseada em Jesus, a pedra fundamental. Não é o amor que muda o mundo, ou as pessoas, sei lá. É Jesus. Jesus. “Levantai ó portas as vossas cabeças, levantai-vos, entradas eternas, para que entre o Rei da glória”. Jesus, o Senhor da Igreja, e Senhor de nossas vidas, Ele, detentor do poder, muda as coisas.

Jesus é maior que nossa visão de igreja, de vida, de mundo. Ele é aquele sem o qual nada podemos fazer, e Ele deveria estar no centro do que fazemos, dentro e fora da caixa. Mas enfatizo que, para sairmos da caixa, a caixa precisa estar em ordem. Isso tem tudo a ver com fidelidade… ser fiel no pouco, ser fiel na caixa, ser fiel na igreja.

A relevância da igreja não está em pastores com calça skinny, tatuagens e de fala “contextualizada”. A igreja só é relevante quando ela mantém fiel a pregação bíblica. Se ela foge disso, além de ser irrelevante, é anátema, é maldição.

O que estamos fazendo? E você, o que está fazendo?

Vamos limpar a caixa. Vamos colocar as coisas em ordem.

Para a Glória Dele,

Eduardo Mano

Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos,Teologia y tiene (2) Comentarios