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Aquém

Sempre me perguntam a respeito de influências. Quem são aqueles que, de alguma forma, ajudaram a moldar quem sou (pessoalmente) e quem somos (como banda). Estive pensando em alguns nomes, aqueles que sempre digo quando me fazem a pergunta, e então reparei que estou muito aquém de meus influenciadores.

Repare, não é uma questão de humildade extrema. É, antes, uma verificação (um bocado triste, admito) de que algumas vezes, citar suas influências pode ser uma vergonha, tanto para elas (mesmo que mortas) quanto para você (quando as pessoas se dão conta de que você não tem absolutamente nada a ver com seu influenciador).

Mas vejo que isso não se dá apenas comigo. Quando ouço ou leio a lista de influenciadores de outros artistas, escritores, pastores e afins, vejo que pouco ou nenhuma semelhança há entre eles e quem eles dizem ter imprimido algo em suas vidas. Talvez tenham adquirido estilo próprio (o que é um #majorWIN), ou talvez sejam o que às vezes acho que sou: um bando de mascarados que vomita uma lista enorme de pessoas de fato interessantes, na esperança de, em um eventual futuro, figurarem nos mesmos filões.

Creio que, na verdade, quando falamos de influenciadores queremos realmente dizer quem admiramos. Admirar alguém não quer dizer necessariamente que essa pessoa tem influência sobre você. Podemos admirar aspectos da vida de uma pessoa, sem admirar necessariamente o todo. E assim, há tanta admiração que no final das contas, que (pelo menos no meu caso) a coisa se torna meio caótica.

Há pouco tempo estava dando uma revisada em algumas de minhas composições e reparei como elas são diferentes entre si, a ponto de eu não saber se seria algo interessante lançá-las em um mesmo CD, EP, ou seja lá qual formato. Engraçado que quando componho, tento ser o mais honesto possível com Deus, comigo e com minhas habilidades. Não vou fazer algo que esteja além do que sei, pois não vai soar natural. Ao mesmo tempo não quero fazer algo aquém do que posso. E nisso, as coisas vão tomando um rumo que não é muito lógico.

E ainda, quando olho para Aquele que é o alvo do que faço, percebo que qualquer esforço meu, qualquer tentativa, sempre será aquém daquilo que Ele realmente merece… e nesse ponto a frustração é menos pior, pois Ele mesmo conforta e faz saber que perfeição mesmo, só no céu (embora eu sinceramente creia que o Stênio Marcius está bem próximo de atingi-la).

Em certos aspectos, estar aquém é algo a que todos estamos fadados. Seja lá quem formos.

Eduardo Mano

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Escrito por Eduardo Mano en Música, Pensamentos Dispersos, Teologia y tiene (4) Comentarios

Feliz Natal

Geralmente as mensagens de natal chegam antes da meia-noite do dia 24, mas como somos hiper subversivos, eis que a nossa vem por último.

Natal não é isso que as lojas vendem. Natal não se resume à troca de presentes. nem mesmo Jesus nasceu no dia 25 de dezembro.

Mas o que importa nisso tudo é que Ele nasceu, e nasceu para morrer por nós. Essa é a mensagem do natal (e a da páscoa): eu e você, a escória do mundo, imerecedores de qualquer coisa boa, recebemos de graça aquilo que custou a Cristo a vida. Nisso subsiste nossa esperança e alegria.

E é nesse espírito que desejamos um bom natal a você, e que a celebração da vitória final sobre a morte não se resuma a feriados marcados num calendário.

Um abraço,

Eduardo e Eline Mano

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Esperança: Notas ao EP

Neste post você vai encontrar algumas notas e pensamentos acerca do EP Esperança, além das letras das músicas. Esse post está longo demais, então aguente firme. Quem sabe não tem algo aqui que interesse a você? :D

Esperança, ou músicas que não vão tocar nas Igrejas não foi feito para chocar. É claro que eu escolhi um título que de alguma forma comunicasse algo, mas minha intenção não era chocar ou agredir ninguém, muito menos a Igreja, corpo que amo. O sobrenome do disco diz mais respeito ao fato de que hoje a teologia predominante nas igrejas está mais para fast-food do que para culinária francesa: queremos tudo agora, sem nem mesmo pedir, e ai de Deus se Ele não nos abençoar. A Esperança que há no porvir, que há na vida eterna, na presença de Deus, na mesa do Cordeiro, parece estar esquecida.

Eu não pretendia reinventar a roda. Não sou o salvador da música cristã (de fato, estou bem longe disso) nem estou na vanguarda de tudo isso. Dá para reparar isso no fato de ter lançado um EP com duas músicas folk, voz e violão. Não é música #vamopula nem #tiraopedochao. É mais provável que você nem coloque essas músicas no seu iPod ou celular, e deixe para ouví-las apenas em casa, com fone, enquanto lê algo na internet ou sei lá o que. É música de Igreja, inspirada na vida cristã comum. Músicas que um cara de 30 anos, cheio de crises mas que ama Jesus faria.

O EP é uma homenagem à memória de Jorge Rehder. Nós nos esquecemos muito rápido daqueles que vieram antes da gente. Jorge era um cara excelente. Um pastorzão de verdade, desses que investem tempo até mesmo com a ovelha dos outros. Um cara que infelizmente não teve a repercussão em vida, que tem na morte, mas que certamente está, de alguma forma, na mente e no coração dos que o conheceram. O cara que mais músicas cedeu para o, na minha opinião, maior ministério de louvor e adoração do Brasil: Vencedores por Cristo. Gente que produz alimento de verdade para os cristão, não apenas papinha. Eu amo o Jorge, assim no presente. Assim como grandes homens precisam ser amados e respeitados. Desde 98 quando o conheci. Amo também sua família, não por serem conhecidos, mas por serem amigos. Jorge, em 35 anos de ministério, lançou apenas um CD, Porto Esperança (que você vai fazer um grande favor a si mesmo se não o baixá-lo, mas comprá-lo aqui). Apenas um… mas teve músicas na maioria dos discos lançados por VPC nos últimos, bem, 35 anos. :)

A mesma Esperança que o Jorge cantava, e que já não é, pois ele está onde nós gostaríamos de estar, é a que eu tento cantar, mas com muito menos maestria. A Esperança de que as coisas sempre terminam bem, e se ainda não está tudo bem, é porque ainda não chegou o fim. Ao menos é assim para o cristão.

Algumas pessoas me pediram as letras das músicas. Aí estão elas:

Outono
(letra e música, Eduardo Mano)

Eis que vem o outono / e com ele a certeza / Que o verão e o calor / Já ficaram pra trás.

Já se foi todo o verde / Já se foram as cores / Um prenúncio do inverno é o que sinto chegar.

Encontra-me, Deus, em meio ao deserto / Vem socorrer o meu coração / Faz-me olhar com esperança / E ver pela fé que a primavera já vai chegar.

Já se foi a alegria / Já se foram os risos / É amargo o choro que brota em meu ser.

Encontra-me, Deus, em meio ao deserto / Vem socorrer o meu coração / Faz-me olhar com esperança / E ver pela fé que a primavera já vai chegar.

E Se
(Letra e Música: Eduardo Mano)

E se eu não for tão honesto / Quanto deveria ser / E se eu não for tão feliz e contente / Quanto aparento ser.

E se eu já estiver moldado / Aos padrões deste mundo / O que fazer pra quebrar esta casca / Que aprisiona e castra.

Quero ter esperança / E alegrar-me com o amanhecer / Quero andar sobre as águas e não afundar / E se eu nunca for forte / E meus pés, vacilantes, falharem / Escorado á Cruz quero permanecer

É isso. Teria mais a dizer, mas o post já está longo demais. Fique à vontade para adicionar sua voz na conversa, aí nos comentários.

Um forte abraço,

Eduardo Mano

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Escrito por Eduardo Mano en Música, Novo CD, Teologia y tiene (8) Comentarios

Eduardo Mano e Banda – Esperança

Conforme prometido:

propaganda_blog

Se você quer ajudar na divulgação, vale lembrar:

• Se você possui um site  de compartilhamento de músicas, fique à vontade para postar o EP lá. Pedimos apenas que o link para download seja mantido, e que nosso blog seja citado.

• Se você quer ajudar o material em seu blog, eu tenho banners (nos tamanhos 530×150 e 220 x 330). Entre em contato que enviaremos para você com o maior prazer. Fique à vontade para utilizar a imagem acima, caso queira.

• Divulgação no Twitter é sempre bem-vinda. Nesse caso, utilize o botão abaixo que você será levado à página do Twitter e já terá um link reduzido feito.

• Se você divulgou em seu blog ou site, por favor, não esqueça de nos enviar o link!

Muito obrigado a todos pelo apoio.

Eduardo Mano e Banda

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Escrito por Eduardo Mano en Faça um favor a si mesmo, Música, Novo CD, Teologia y tiene (19) Comentarios

Campanha dos 64000

Então, para vocês verem que eu não tô de bobeira, eis aí a prova de que o EP realmente vem, e que a parte gráfica já tá (quase) pronta:

capa_EP

Sim, essa é minha mesa de trabalho, decorada com carinho por minha esposa. Os post-its rosas são, claro, dela. Mas eu uso. Rosa se destaca do resto, sei lá… :P

Para fechar o pacote, falta apenas fazer o PDF das cifras das músicas e terminar alguns dos brindes que vão junto. Com mais 700 acesso, o pacote será liberado a vocês.

Queria falar um pouquinho das músicas e do EP.

O nome do EP é “Esperança… ou músicas que não vão tocar nos cultos”, te duas músicas e ambas são apenas voz e violão. As músicas não são no estilo United / Vamôpulá / eu vou dançar na chuva, mas sim no estilo “a chuva cai e o dia tá cinza”. Quero ver se no pacote, junto com tudo, mando também estudos sobre as músicas, para você ler enquanto ouve. O EP é uma homenagem muito pessoal ao Jorge Rehder, que me ensinou mais sobre esperança em tão pouco tempo de contato do que aprendi em muitos anos.

É isso… hoje à noite o material do pacote deve estar pronto, faltando apenas os estudos. Caso isso interesse a você, ajude a divulgar o material / blog no twitter, e-mail, orkut ou em seu próprio blog. E se você assim fizer, me avise (e-mail ou comentário).

Muito obrigado,

Eduardo Mano

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Escrito por Eduardo Mano en Música, Novo CD, Teologia y tiene (5) Comentarios

atualizando aos poucos, 02

Continuando a saga, há exata uma semana as coisas começaram a ficar um bocado complicadas para o nosso lado. Amanhecemos o dia sem gás na casa, o que significa: nada de fogão.

Depois de constatar que o gás ficaria longe dos tubos por todo o final de semana, fui para casa preparar mais um encontro do Gênese. A cada quinta-feira o grupo tem crescido (já são 4 quintas seguidas com visitantes) e temos nos divertido bastante compartilhando as agruras que cada um passa na vida eclesiástica e encontrando uns nos outros excelentes motivos para amar a Cristo e à Igreja.

Enfim… quando cheguei em casa, reparei que algumas latas de… de… de… refrigerante. É! Isso! Refrigerante! Na geladeira estavam suadas… como se alguém tivesse deixado a porta aberta por um longo tempo… fechei a porta e me certifiquei que estava bem lacrada… mas então… de 5 em 5 minutos ela começou a apitar e fazer barulhos desconhecidos. Resumo: geladeira queimada.

Agora repara: sem gás e sem geladeira, em véspera de feriadão. Alguma coisa poderia ficar pior?

Sim. E ficou.

No Gênese, comemos pizza. Conversamos muito, e terminamos a noite dividindo aquilo que passamos e sabemos que outros passaram “servindo” a alguns “ministros e louvor famosos”. Bons exemplos e péssimos exemplos nos alertando acerca do que estamos fazendo com o Evangelho.

Já passava das 23h quando Sandro, baixista da banda, passou em casa com Tati. Ficamos por lá alguns minutos, a galera foi embora… e então partimos, Sandro, Tati, eu, Eline e Léo para o Leme, com a finalidade de fazer nada. Chegando lá, paramos em um quiosque e pedimos comida de praia (leia-se: frango frito e batata frita).

Resultado: Eline com infecção intestinal. Somada à falta de gás e à geladeira ruim, isso era a certeza de um final-se-semana bem ruim… Mas Deus ainda tinha sexta, sábado e domingo guardados, e isso fica para depois.

inté.

Eduardo

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Escrito por Eduardo Mano en Gênese, Pensamentos Dispersos, Teologia y tiene (1) Comentario

Jesus Nunca foi Gospel

Esse é o nome do site que estreou hoje, e que me aproximou do meu (agora) grande amigo Markeetoo. Há alguns meses ele me mandou um e-mail pedindo que escrevesse algo, e assim o fiz, obedecendo.

O resultado, você confere no site. Eis a imagem do mesmo:

jesus_nunca_foi_gospel

Quem tá lá, por enquanto:

• Ariovaldo Júnior
• Gedeon Alencar
• Pastor Manoel DC
• Pastor  Joaquimtiago Bill
• Markeetoo
• eu…

Boa leitura,

Eduardo

Tinha esquecido de lincar, idiota que sou… problem solved now.

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Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos, Teologia y tiene (2) Comentarios

O que é Gênese?

genese
fotos de Léo Neves // montagem de Eduardo Mano

Há seis semanas, eu, Eline e Léo temos nos reunido com alguns amigos, todos conhecidos pela internet, para falar um pouco sobre Deus, arte e tudo mais. Amanhã (ou melhor, hoje) será, na verdade, o 6º encontro do grupo, que desde a quinta-feira passada chama-se Gênese.

Não é Gênesis, mas sim  Gênese.

A idéia do grupo é discutir arte e vida através da lente que o Cristianismo proporciona… uma visão de mundo (cosmovisão) Cristã. O nome do grupo é Gênese por dar a idéia de início, do ato criador, de trazer à vista algo. Deus, em Sua infinita sabedoria, nos fez seres capazes de criar coisas. Alguns criam por amor, outros por necessidade, mas todos criamos algo.

O grupo é, hoje, composto por artistas: músicos (em sua maioria), fotógrafos, produtores, artistas plásticos e um missionário na Hungria. Sim, é verdade. Ele também já esteve em Venezzia, ou algo assim. Mas não é limitado a pessoas ligadas às artes. Todos são bem-vindos, sem excessão.

Portanto, o lance é o seguinte: isso aqui é um convite. Se você é do Rio e não tem medo de vir até a Tijuca em plena quinta-feira,  às 19h, chega junto. Para saber detalhes, escreve para eduardomano@gmail.com, ou manda um DM para @eduardomano no Twitter. Assim podemos dizer a você o endereço da casa e falar o que você precisa trazer (e isso demanda um novo parágrafo).

Como toda reunião de crente, nós comemos. E comemos bastante. Bebemos também. Isso tudo é trazido através de uma lista que soltamos na quarta-feira ou na quinta pela manhã e à tarde, portanto, é importante termos seu e-mail.

É isso. Chega junto!

Eduardo Mano

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Escrito por Eduardo Mano en Faça um favor a si mesmo, Pensamentos Dispersos, Teologia y tiene (9) Comentarios

Um mui-digno RP

Se o RT no Twitter é quando você tuíta algo que gostou, mas escrito (ou tuitado) por outra pessoa, então o RP é quando você posta algo que foi postado por outra pessoa, e você gostou.

Enfim: digo isso pois vou repostar aqui algo que não escrevi, e que foi originalmente postado no iPródigo. Tem muito a acrescentar nessa conversa aqui, e por isso, é muito pertinente.

Em tempo: peguei o texto sem consultar nenhum dos meninos, mas faço apelo a todos que lerem isso por aqui para que visitem o post original, pois lá o layout é bem mais bonito, e tá cheio de imagens ilustrativas. :D

Have fun.

-x-

A Igreja e a Arte: pontos de contato
Text: Kevin DeYoung
// Tradução:  equipe iPródigo

A Igreja e a Arte tiveram um relacionamento de altos e baixos nos últimos milênios. Às vezes, a Igreja foi patrona das artes, financiando e apoiando escultores, pintores e músicos com seus recursos. Outras vezes, a Igreja bateu de frente com a Arte, vendo-a como desperdício de tempo ou pior, como expressão de hedonismo e sensualidade.
Hoje, apesar de muitas igrejas não serem muito receptivas a artistas, existe um ressurgimento de interesse e de defesa das artes. Na faixa abaixo dos 40 dos membros da igreja, gostar de arte é como gostar da sua avó, ou seja, apenas os mais retrógrados e incultos não o fazem. Existem duas coisas que nenhum jovem cristão se atreve a ir contra: justiça social e arte.
A paixão por encorajar a arte é compreensível e na maior parte, recomendável. Não só a Igreja tem um longo histórico de apoio à arte, como a Bíblia fala muito bem daqueles com dons artísticos e artesanais (como a famosa dupla Bezalel e Aoliabe). E sejamos honestos, muitas de nossas igrejas não são exatamente um abrigo saudável para artistas. A cultura da igreja é normalmente conduzida pela classe média, não por alternativos e boêmios. Logo, faz sentido que nós precisemos sair da nossa zona de conforto para poder receber artistas e encorajar seu trabalho.
Antes de me aprofundar, quero deixar claro que não vou apresentar uma teologia da Arte. Não sou capacitado para isso. Para aqueles interessados em um tratamento mais completo do Cristianismo e da Arte, eu recomendo o livro “Art of God’s Sake” (Arte para Deus), de Philip Ryken. Não sou um artista. Quer dizer, não sou pintor, escultor, poeta ou dançarino (você, definitivamente, não quer me ver dançando). Já estive em corais e tive algum treinamento vocal. É na música que eu chego o mais perto de algum senso artístico. Mas no geral, me considero um cristão bem mediano quando se trata de artes (mas eu me esforço bastante na ‘arte’ de escrever e pregar, ou seja, estou falando mais da ‘Alta Arte’ nesse texto). Eu gosto de algumas coisas da Arte, acho algumas coisas chatas, e algumas eu simplesmente não entendo.
Como pastor, eu acho que uma ênfase renovada na arte em nossas igrejas pode ser uma coisa muito boa, ou muito ruim. Tudo depende de como o grupo da “arte é a resposta” e o grupo da “arte é estranha” pode chegar alguns pontos de contato e um terreno comum. Em relação a isso, quero oferecer algumas teses a respeito da Igreja e da Arte.
1. Devemos permitir que a arte seja arte. Às vezes, cristãos cometem o erro de achar que para a arte ter algum valor, precisa compartilhar o evangelho ou falar explicitamente de Jesus. Tal abordagem normalmente produz arte ruim e evangelismo ruim. A Arte tem seu valor porque tem a capacidade de ser bela e cheia de verdade. Não podemos achar que a arte vai comunicar da mesma forma que um discurso.
2. Arte tem seu valor, assim como várias outras coisas. Nem sempre os Cristãos sabem o que fazer com a arte. Pensamos “realmente existe algum valor em uma bela dança ou em um poema difícil de entender?”. Mas, se bem feita, a arte pode nos inspirar, confortar, incomodar, e ativar diferentes áreas de nosso cérebro. A Arte nos lembra que a utilidade não é a unidade de medida para o valor. Mas a Arte não é um deus, nem o curso preferido de Deus na universidade. Não há nada intrinsecamente melhor (ou pior) em ser um artista do que ser um contador, um programador de computadores, ou um vendedor.
3. A Arte pode realizar algumas coisas, mas pode não realizar outras. Cristãos normalmente têm problemas com a arte porque ela pode ser ambígua e aberta para muitas interpretações. Ela não está fechada a opiniões. Leva-nos a pensar, mas também a sentir. Ela ‘forma’ mais do que ‘informa’. Nesse sentido, a arte pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é criativo e belo. Mas a engenharia pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é coerente e conhecível. Deus é infinito. Várias profissões e várias vocações podem demonstrar seus diversos aspectos. Não devemos cometer o erro – e eu ouço bastante sobre isso – de achar que “poetas, artistas, escritores, eles sim, são os que realmente podem nos ensinar sobre Deus”. Bem, sim, eles podem. Mas os padeiros e os coletores de lixo também podem.
4. Nosso louvor deve buscar excelência artística, mas deve ser inevitavelmente “popular”, direto e objetivo. Eu estou sempre dizendo às pessoas que nós queremos “indiscutível excelência” nos cultos dominicais (agradeço a John Piper pela expressão). Não quero que pensemos que mediocridade é uma virtude espiritual. Cada igreja terá capacidades diferentes, mas o objetivo deve ser a melhor música, o melhor som, os melhores instrumentos, assim como queremos a melhor pregação. O momento de louvor dos cultos não é o melhor momento para dar ao Joãozinho uma chance de arranhar alguns acordes no violão. É uma oportunidade, para aqueles que se esforçaram para estudar e refinar seus talentos, de servir a Deus com seu trabalho.
Por outro lado, as igrejas devem ter em mente que o objetivo do louvor não é exibir o talento de artistas. O objetivo final é edificar congregação e adorar a Jesus para a glória de Deus. Isso significa que a música deve ser simples o suficiente para que centenas (ou milhares) de pessoas sem treinamento possam cantar ao mesmo tempo. Isso também significa que nosso louvor deve lidar com a verdade da forma mais direta possível. Eu não quero pessoas após o culto se perguntando qual era o significado do louvor. Eu não quero que elas pensem em interpretações variadas. Eu quero que a mensagem seja clara e objetiva. Em 1 Coríntios 14, Paulo argumenta em favor da mensagem que é compreendida por todos durante o culto. Não estamos buscando experiências individuais de louvor. Queremos o máximo de clareza, o que significa que não vamos nos desculpar por focar mais na palavra e menos em outras formas de ‘arte’.
5. As igrejas podem aprender a receber artistas, mas os artistas não devem esperar que a igreja seja uma galeria de arte. Como eu disse, a igreja tem um histórico de apoiar a arte. Existe algo único nas artes visuais (estou pensando em pinturas, cartazes, murais, fotografias e etc.) que as torna propícias a serem incluídas no “espaço sagrado”.  É complicado para um corretor de imóveis demonstrar suas capacidades no meio litúrgico, mas isso é possível à arte. Se existem artistas talentosos na sua igreja, considere a possibilidade de reservar algum espaço para que seus trabalhos possam ser expostos e integrados ao ambiente. Mas os artistas precisam perceber que a igreja não é uma galeria de arte. Eles precisam ter a sensibilidade para perceber que nem todas as obras podem ser usadas nesse contexto, e a humildade para ouvir um “obrigado, mas… não, obrigado”. Alguns trabalhos não se encaixam no contexto ou no clima da igreja. Algumas obras se tornam antiquadas. Outras nos distraem (em um sentido ruim). E outras simplesmente não são tão boas assim. Apesar disso tudo, a não ser que queiramos voltar ao modelo de igreja da Idade Média, é improvável que a igreja volte a apoiar e incentivar a arte como já fez (pelo menos financeiramente falando).
6. Artistas nos ajudam a reconhecer nossos ídolos, mas artistas também têm seus ídolos. Banqueiros chegam a idolatrar o dinheiro. Há mães que idolatram seus filhos. Acadêmicos muitas vezes idolatram o seu intelecto. Pastores podem acabar idolatrando a pregação. Artistas, a auto-expressão. O pior é que muitas vezes nos orgulhamos equivocadamente de não nos curvarmos aos ídolos dos outros. A boa arte pode ajudar a remover pretensões e pragmatismos excessivos. Bons artistas devem ser humildes a respeito de suas próprias limitações e pecados. E bons cristãos devem sempre almejar a verdade e a beleza, aonde que elas estejam.

A Igreja e a Arte tiveram um relacionamento de altos e baixos nos últimos milênios. Às vezes, a Igreja foi patrona das artes, financiando e apoiando escultores, pintores e músicos com seus recursos. Outras vezes, a Igreja bateu de frente com a Arte, vendo-a como desperdício de tempo ou pior, como expressão de hedonismo e sensualidade.

Hoje, apesar de muitas igrejas não serem muito receptivas a artistas, existe um ressurgimento de interesse e de defesa das artes. Na faixa abaixo dos 40 dos membros da igreja, gostar de arte é como gostar da sua avó, ou seja, apenas os mais retrógrados e incultos não o fazem. Existem duas coisas que nenhum jovem cristão se atreve a ir contra: justiça social e arte.

A paixão por encorajar a arte é compreensível e na maior parte, recomendável. Não só a Igreja tem um longo histórico de apoio à arte, como a Bíblia fala muito bem daqueles com dons artísticos e artesanais (como a famosa dupla Bezalel e Aoliabe). E sejamos honestos, muitas de nossas igrejas não são exatamente um abrigo saudável para artistas. A cultura da igreja é normalmente conduzida pela classe média, não por alternativos e boêmios. Logo, faz sentido que nós precisemos sair da nossa zona de conforto para poder receber artistas e encorajar seu trabalho.

Antes de me aprofundar, quero deixar claro que não vou apresentar uma teologia da Arte. Não sou capacitado para isso. Para aqueles interessados em um tratamento mais completo do Cristianismo e da Arte, eu recomendo o livro “Art of God’s Sake” (Arte para Deus), de Philip Ryken. Não sou um artista. Quer dizer, não sou pintor, escultor, poeta ou dançarino (você, definitivamente, não quer me ver dançando). Já estive em corais e tive algum treinamento vocal. É na música que eu chego o mais perto de algum senso artístico. Mas no geral, me considero um cristão bem mediano quando se trata de artes (mas eu me esforço bastante na ‘arte’ de escrever e pregar, ou seja, estou falando mais da ‘Alta Arte’ nesse texto). Eu gosto de algumas coisas da Arte, acho algumas coisas chatas, e algumas eu simplesmente não entendo.

Como pastor, eu acho que uma ênfase renovada na arte em nossas igrejas pode ser uma coisa muito boa, ou muito ruim. Tudo depende de como o grupo da “arte é a resposta” e o grupo da “arte é estranha” pode chegar alguns pontos de contato e um terreno comum. Em relação a isso, quero oferecer algumas teses a respeito da Igreja e da Arte.

1. Devemos permitir que a arte seja arte. Às vezes, cristãos cometem o erro de achar que para a arte ter algum valor, precisa compartilhar o evangelho ou falar explicitamente de Jesus. Tal abordagem normalmente produz arte ruim e evangelismo ruim. A Arte tem seu valor porque tem a capacidade de ser bela e cheia de verdade. Não podemos achar que a arte vai comunicar da mesma forma que um discurso.

2. Arte tem seu valor, assim como várias outras coisas. Nem sempre os Cristãos sabem o que fazer com a arte. Pensamos “realmente existe algum valor em uma bela dança ou em um poema difícil de entender?”. Mas, se bem feita, a arte pode nos inspirar, confortar, incomodar, e ativar diferentes áreas de nosso cérebro. A Arte nos lembra que a utilidade não é a unidade de medida para o valor. Mas a Arte não é um deus, nem o curso preferido de Deus na universidade. Não há nada intrinsecamente melhor (ou pior) em ser um artista do que ser um contador, um programador de computadores, ou um vendedor.

3. A Arte pode realizar algumas coisas, mas pode não realizar outras. Cristãos normalmente têm problemas com a arte porque ela pode ser ambígua e aberta para muitas interpretações. Ela não está fechada a opiniões. Leva-nos a pensar, mas também a sentir. Ela ‘forma’ mais do que ‘informa’. Nesse sentido, a arte pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é criativo e belo. Mas a engenharia pode ‘ensinar’ sobre como nosso Deus é coerente e conhecível. Deus é infinito. Várias profissões e várias vocações podem demonstrar seus diversos aspectos. Não devemos cometer o erro – e eu ouço bastante sobre isso – de achar que “poetas, artistas, escritores, eles sim, são os que realmente podem nos ensinar sobre Deus”. Bem, sim, eles podem. Mas os padeiros e os coletores de lixo também podem.

4. Nosso louvor deve buscar excelência artística, mas deve ser inevitavelmente “popular”, direto e objetivo. Eu estou sempre dizendo às pessoas que nós queremos “indiscutível excelência” nos cultos dominicais (agradeço a John Piper pela expressão). Não quero que pensemos que mediocridade é uma virtude espiritual. Cada igreja terá capacidades diferentes, mas o objetivo deve ser a melhor música, o melhor som, os melhores instrumentos, assim como queremos a melhor pregação. O momento de louvor dos cultos não é o melhor momento para dar ao Joãozinho uma chance de arranhar alguns acordes no violão. É uma oportunidade, para aqueles que se esforçaram para estudar e refinar seus talentos, de servir a Deus com seu trabalho.

Por outro lado, as igrejas devem ter em mente que o objetivo do louvor não é exibir o talento de artistas. O objetivo final é edificar congregação e adorar a Jesus para a glória de Deus. Isso significa que a música deve ser simples o suficiente para que centenas (ou milhares) de pessoas sem treinamento possam cantar ao mesmo tempo. Isso também significa que nosso louvor deve lidar com a verdade da forma mais direta possível. Eu não quero pessoas após o culto se perguntando qual era o significado do louvor. Eu não quero que elas pensem em interpretações variadas. Eu quero que a mensagem seja clara e objetiva. Em 1 Coríntios 14, Paulo argumenta em favor da mensagem que é compreendida por todos durante o culto. Não estamos buscando experiências individuais de louvor. Queremos o máximo de clareza, o que significa que não vamos nos desculpar por focar mais na palavra e menos em outras formas de ‘arte’.

5. As igrejas podem aprender a receber artistas, mas os artistas não devem esperar que a igreja seja uma galeria de arte. Como eu disse, a igreja tem um histórico de apoiar a arte. Existe algo único nas artes visuais (estou pensando em pinturas, cartazes, murais, fotografias e etc.) que as torna propícias a serem incluídas no “espaço sagrado”.  É complicado para um corretor de imóveis demonstrar suas capacidades no meio litúrgico, mas isso é possível à arte. Se existem artistas talentosos na sua igreja, considere a possibilidade de reservar algum espaço para que seus trabalhos possam ser expostos e integrados ao ambiente. Mas os artistas precisam perceber que a igreja não é uma galeria de arte. Eles precisam ter a sensibilidade para perceber que nem todas as obras podem ser usadas nesse contexto, e a humildade para ouvir um “obrigado, mas… não, obrigado”. Alguns trabalhos não se encaixam no contexto ou no clima da igreja. Algumas obras se tornam antiquadas. Outras nos distraem (em um sentido ruim). E outras simplesmente não são tão boas assim. Apesar disso tudo, a não ser que queiramos voltar ao modelo de igreja da Idade Média, é improvável que a igreja volte a apoiar e incentivar a arte como já fez (pelo menos financeiramente falando).

6. Artistas nos ajudam a reconhecer nossos ídolos, mas artistas também têm seus ídolos. Banqueiros chegam a idolatrar o dinheiro. Há mães que idolatram seus filhos. Acadêmicos muitas vezes idolatram o seu intelecto. Pastores podem acabar idolatrando a pregação. Artistas, a auto-expressão. O pior é que muitas vezes nos orgulhamos equivocadamente de não nos curvarmos aos ídolos dos outros. A boa arte pode ajudar a remover pretensões e pragmatismos excessivos. Bons artistas devem ser humildes a respeito de suas próprias limitações e pecados. E bons cristãos devem sempre almejar a verdade e a beleza, aonde que elas estejam.

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Escrito por Eduardo Mano en Música, Pensamentos Dispersos, Teologia, design y tiene (3) Comentarios

Mais um post sobre a Reforma

Hoje, 31 de outubro, celebramos mais um ano da Reforma Protestante. Por “celebramos”, me refiro, claro, àqueles que fazem parte das igrejas históricas surgidas nos anos pós-Reforma. Há aqueles que celebram a Reforma apenas no dia de hoje, fazendo questão de, nos outros dias do ano, enfatizar não serem uma igreja reformada ([irony mode=on]como os Batistas, por exemplo[irony mode=off]).

Eu sou batista, mas me considero reformado. Abraço as doutrinas da graça, amplamente difundidas e defendidas pelos reformadores. Concordo com aquilo que Piper, Carson, Driscoll, Shedd, Stott, Spurgeon e muitos outros disseram e ainda dizem. Mas gostaria de considerar alguns pontos.

É importante mantermos nossa fé viva e atual, para termos respostas e sabermos dialogar com o mundo e a cultura ao nosso redor. Nesse sentido, é importante vermos as adaptações que são necessárias dentro de todo arcabouço teológico reformado, uma vez que muito do que cremos foi dito nos séculos XVI e XVII. Lógico que muitos outros teólogos formularam inúmeras teses nos séculos seguintes, e creio que o fizeram pensando no contexto em que viviam – exatamente aquilo que precisamos fazer hoje.

A Reforma de Lutero não foi política e sim espiritual e cultural. Com a tradução da bíblia para a língua do povo e a introdução do canto congregacional nas reuniões públicas, ocorreu um diálogo cultural (maior prova disso é o fato de Castelo Forte, principal hino da Reforma, composto por Lutero, ter sua melodia baseada em uma “drinking song” – canções que o povo entoava quando bebia nas tavernas). Quando hoje a Igreja priva o cristão do diálogo cultural, nada mais faz do que uma celebração à igreja pré-reformada, corrupta e interessada em riquezas materiais (outro ponto que vemos aos montes nos dias de hoje), e não em riquezas espirituais.

É claro que há gente muito mais qualificada para falar sobre a reforma do que, gente que estuda muito mais do que eu estudei e têm se aplicado no ensino coerente da Palavra, como o Juan de Paula, os rapazes do iPródigo e muitos, muitos outros cristãos engajados no ensino das Escrituras, e você pode procurá-los. A minha questão é com a cultura, e como devemos nos aproximar dela sem negar nossa identidade.

É isso. 492 anos se passaram desde que Lutero “postou” suas teses na melhor mídia possível na época. Quando pensamos por esse lado, podemos até imaginar que Lutero não faria feito no meio da blogosfera…

Um abraço a todos.

Sola Fide, Sola Gratia, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Eduardo

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Escrito por Eduardo Mano en Pensamentos Dispersos, Teologia y tiene (2) Comentarios