Já escrevi um outro post sobre o tema, respondendo a uma pergunta do Dilon, mas hoje é um pouco diferente.
Sempre levei o ato de compor muito a sério. A grande maioria das minhas músicas demora meses para se ouvida por alguém. Muito a ver com o fato de eu ser bem inseguro com algumas coisas.
Nunca tive a pretensão de que minhas músicas iriam mudar o mundo, ou que fossem cantadas a plenos pulmões por uma Praça da Apoteose lotada. E embora todo artista sonhe em ver suas obras “na boca do povo”, Deus tem sido muito gracioso ao me fazer ver que o que eu faço tem outra “pegada” (como diria meu grande amigo John), e que o público daquilo que escrevo é restrito. Não elitizado, pois não é por aí que a coisa funciona. Simplesmente restrito.
Isso me ajuda a focar principalmente na teologia daquilo que escrevo. Isso é algo basilar para mim – apresentar o Evangelho de Cristo da forma mais simples, honesta e fiel possível. É o que venho tentando fazer nos últimos 14 anos, desde que comecei a compor. Claro que há 14 anos eu não tinha muita noção de teologia, e de fato, cria de forma completamente diferente da forma como creio hoje. Mas de qualquer forma, sempre que compunha algo, mostrava para minha liderança e alguns pastores (back when things were easier) para revisão.
Mas todo esse prólogo foi para falar das minhas duas últimas experiências com composição.
No último 13 de setembro, a morte chegou de maneira muito prematura à casa de Luciano e Rosana Garcia, no Espírito Santo. Sua filha de pouco mais de dois anos (posso estar enganado quanto à sua idade) faleceu após uma repentina infecção (notícias que chegaram a mim, não tive maiores informações). Eles oraram muito por essa criança, e sofreram muito também. Essa notícia atingiu de maneira muito forte meu coração. E pela primeira vez eu compus algo a partir da dor da perda, da morte. Ainda não tenho a música gravada e ainda não posso mostrar a letra, mas sempre que a canto aqui, em casa, algo de mim vai embora. Algo que Deus, por Sua misericórdia, repõe. E assim, quando canto, oro por eles. Oro para que Deus seja suficiente às suas vidas. Oro para que Ele mesmo seja a paz que eles tanto precisam.
A outra música escrevi como fruto de revolta e reflexão com minha própria vida. As coisas que temos passado aqui em casa, e o fato de precisarmos depender muito mais de Deus. Sabe, quando aconselho alguém, tento dar dicas e idéias as mais bíblicas e cabíveis quanto possível. Mas nunca imaginei que fosse tão difícil crer naquilo que Deus diz e faz quando chega a minha hora. O processo é dolorido… e disso está nascendo mais uma canção.
A gente vai vivendo e aprendendo. Imagino que essas não sejam as últimas músicas que vou compor com base na dor, seja da perda, seja da incredulidade. Só sei que Deus dá de Sua graça nesses momentos, e tudo que preciso fazer é sentar, orar e escrever.
Um abraço,
Eduardo Mano


