Neste post você vai encontrar algumas notas e pensamentos acerca do EP Esperança, além das letras das músicas. Esse post está longo demais, então aguente firme. Quem sabe não tem algo aqui que interesse a você?
Esperança, ou músicas que não vão tocar nas Igrejas não foi feito para chocar. É claro que eu escolhi um título que de alguma forma comunicasse algo, mas minha intenção não era chocar ou agredir ninguém, muito menos a Igreja, corpo que amo. O sobrenome do disco diz mais respeito ao fato de que hoje a teologia predominante nas igrejas está mais para fast-food do que para culinária francesa: queremos tudo agora, sem nem mesmo pedir, e ai de Deus se Ele não nos abençoar. A Esperança que há no porvir, que há na vida eterna, na presença de Deus, na mesa do Cordeiro, parece estar esquecida.
Eu não pretendia reinventar a roda. Não sou o salvador da música cristã (de fato, estou bem longe disso) nem estou na vanguarda de tudo isso. Dá para reparar isso no fato de ter lançado um EP com duas músicas folk, voz e violão. Não é música #vamopula nem #tiraopedochao. É mais provável que você nem coloque essas músicas no seu iPod ou celular, e deixe para ouví-las apenas em casa, com fone, enquanto lê algo na internet ou sei lá o que. É música de Igreja, inspirada na vida cristã comum. Músicas que um cara de 30 anos, cheio de crises mas que ama Jesus faria.
O EP é uma homenagem à memória de Jorge Rehder. Nós nos esquecemos muito rápido daqueles que vieram antes da gente. Jorge era um cara excelente. Um pastorzão de verdade, desses que investem tempo até mesmo com a ovelha dos outros. Um cara que infelizmente não teve a repercussão em vida, que tem na morte, mas que certamente está, de alguma forma, na mente e no coração dos que o conheceram. O cara que mais músicas cedeu para o, na minha opinião, maior ministério de louvor e adoração do Brasil: Vencedores por Cristo. Gente que produz alimento de verdade para os cristão, não apenas papinha. Eu amo o Jorge, assim no presente. Assim como grandes homens precisam ser amados e respeitados. Desde 98 quando o conheci. Amo também sua família, não por serem conhecidos, mas por serem amigos. Jorge, em 35 anos de ministério, lançou apenas um CD, Porto Esperança (que você vai fazer um grande favor a si mesmo se não o baixá-lo, mas comprá-lo aqui). Apenas um… mas teve músicas na maioria dos discos lançados por VPC nos últimos, bem, 35 anos.
A mesma Esperança que o Jorge cantava, e que já não é, pois ele está onde nós gostaríamos de estar, é a que eu tento cantar, mas com muito menos maestria. A Esperança de que as coisas sempre terminam bem, e se ainda não está tudo bem, é porque ainda não chegou o fim. Ao menos é assim para o cristão.
Algumas pessoas me pediram as letras das músicas. Aí estão elas:
Outono
(letra e música, Eduardo Mano)
Eis que vem o outono / e com ele a certeza / Que o verão e o calor / Já ficaram pra trás.
Já se foi todo o verde / Já se foram as cores / Um prenúncio do inverno é o que sinto chegar.
Encontra-me, Deus, em meio ao deserto / Vem socorrer o meu coração / Faz-me olhar com esperança / E ver pela fé que a primavera já vai chegar.
Já se foi a alegria / Já se foram os risos / É amargo o choro que brota em meu ser.
Encontra-me, Deus, em meio ao deserto / Vem socorrer o meu coração / Faz-me olhar com esperança / E ver pela fé que a primavera já vai chegar.
E Se
(Letra e Música: Eduardo Mano)
E se eu não for tão honesto / Quanto deveria ser / E se eu não for tão feliz e contente / Quanto aparento ser.
E se eu já estiver moldado / Aos padrões deste mundo / O que fazer pra quebrar esta casca / Que aprisiona e castra.
Quero ter esperança / E alegrar-me com o amanhecer / Quero andar sobre as águas e não afundar / E se eu nunca for forte / E meus pés, vacilantes, falharem / Escorado á Cruz quero permanecer
É isso. Teria mais a dizer, mas o post já está longo demais. Fique à vontade para adicionar sua voz na conversa, aí nos comentários.
Um forte abraço,
Eduardo Mano


