
Como vocês têm reparado, tenho pensado bastante em todo esse lance de “ser independente”. Por mais que o termo indie, ou independente mesmo, seja usado mais em referência às bandas de rock de selos pequenos ou ainda não contratadas por nenhum selo, creio que a nomenclatura vá muito além de um estilo musical. Entendam: não estou achando que as coisas que escrevo aqui sejam novidade. Posso estar tanto errado quanto atrasado na conversa, mas é que no nosso mundinho, o cristão, eu nunca tinha visto ninguém falando sobre isso.
Também não acho que sou o primeiro a falar, tá?
Mas então… prosseguindo. De certa forma, a maioria dos artistas gospel e cristãos (aqui vale colocar tudo em pratos limpos: gospel, pra mim, é quem joga para galera, enquanto cristão, para mim, é quem segue seus instintos) são independentes, pois não se valem de uma gravadora propriamente dita para divulgar seu trabalho. Alguns são distribuídos por selos (como o VPC), outros têm suas próprias gravadoras / distribuidoras (como aquele pessoal que quer de volta o que era deles, mas antes dizia que abria mão de tudo por Deus), mas no fundo, no fundo, são independentes, têm algum poder sobre sua obra.
A questão, ao que me parece, é que mesmo nesse meio, onde a independência reina, ainda dá para ser independente na essência. Digo isso por que tem muito ministério que iniciou com sonhos de ser igual a x ou y, muitas vezes abrindo mão de seus gostos pessoais para abraçar algo enlatado e pronto para venda. Será que realmente vale tanto a pena assim estar na mídia?
Pessoalmente, antes do projeto do EP, eu quebrava a cabeça querendo compor músicas mais agitadas, mais no estilo modern worship que ouvia diariamente, e estava constantemente frustrado por compor apenas melodias simples, muitas vezes melancólicas, com letras que certamente não figurariam no louvor de muitas igrejas brasileiras. Todo o processo do EP, e as portas que foram abertas, foi muito libertador. Libertador por poder abraçar plenamente a arte como ela sai de mim, e não como eu queria que ela saísse e libertador por ver quantas vidas foram, de certa forma, tocadas por todo esse processo.
Agora, preparando o material pro CD, a pressão diminui, e surgem os mais variados tons e ritmos, coisa que eu nunca imaginei que faria, e novamente esse processo libertador nasce em mim, pois não estou preso à necessidade de agradar a um determinado grupo, mas apenas a Deus, ou a mim, dependendo da perspectiva do leitor.
Nesse sentido, a essência indie é importante, pois faz com que a própria pessoa, de certa forma, curta aquilo que faz. Não são poucas as histórias de bandas que, após gravarem determinado disco, nunca o ouviram… e isso não se dá, creio eu, pela exaustão do processo criativo, mas sim pelas pressões das corporações, insistindo nos cifrões e abrindo mão do coração do artista.
É nesse sentido que tenho sido impelido a fazer algo com as boas e novas bandas que têm surgido, sejam congregacionais, contemplativas, seculares… importa que nós, como cristãos, estejamos fazendo aquilo que o Pai plantou em nossos corações.
Público sempre vai ter. Dinheiro, nem sempre. Mas como disse Milton Nascimento, “todo artista tem que ir aonde o povo está”, e pelo que ando vendo, o povo anda com uma certa urgência por coisas verdadeiras.

